Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020

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Você viu? Um radiotelescópio começou a investigar o outro lado da Lua

Aparelho começou a operar no fim de novembro (Foto: Reprodução)

De forma inédita, um radiotelescópio espacial está colhendo informações do lado escuro da Lua. Fruto de uma parceria entre China e Holanda, o aparelho foi colocado dentro de um satélite de comunicação chinês chamado Queqiao e lançado ao espaço em maio do ano passado. No entanto, até agora, ele estava desligado.

O satélite foi lançado durante a missão Chang’e 4, primeira a aterrissar de forma segura no outro lado da Lua. O radiotelescópio se encontra a aproximadamente 450 mil quilômetros da Terra, e foi enviado a um ponto cuja órbita garantirá que ele nunca fique entre a Terra e a Lua, e sim sempre atrás do astro, do ponto de vista terrestre.

Até o último dia 26, era esperado que o aparelho holandês-chinês ficasse inativo por mais muitos meses. No entanto, foi anunciado o desdobramento de três antenas para fora do satélite, as quais realizarão varreduras no espaço livre da interferência da nossa atmosfera.

A expectativa é de que o radiotelescópio seja capaz de captar sinais de rádio muito fracos. Para isso, ele conta com três antenas de 5 metros cada, as quais funcionam na faixa de 80 kHz a 80 MHz. Os cientistas esperam capturar sinais que revelem segredos sobre a “Idade das Trevas” do universo, ou seja, o período que seguiu imediatamente o Big Bang e sobre o qual temos pouquíssimas informação.

Os dados capturados poderão iluminar o conhecimento sobre o surgimento das primeiras estrelas e galáxias, além de elucidar a natureza da matéria escura. Assim, pode caber ao radiotelescópio a complexa e importante missão de nos fornecer novos dados sobre o estado inicial do universo.

A missão chinesa Chang’e 4 abriu as três antenas do NCLE, um observatório que pode ajudar a captar sinais dos primórdios do universo, buscando emissões de hidrogênio do período conhecido como Idade das Trevas do Universo, quando nem mesmo as primeiras estrelas haviam se formado ainda. Mas uma pequena falha na abertura de uma das antenas vai atrasar um pouco essa pesquisa.

O NCLE orbita a Lua há cerca de 18 meses, aguardando para dar início à segunda fase da missão. Com a Chang’e 4 por perto, os chineses aproveitaram para iniciar o processo de captura dos dados, abrindo as antenas. Uma delas, no entanto, não se abriu por inteiro, mas o radiotelescópio consegue detectar emissões de hidrogênio de cerca de 800 milhões de anos após o Big Bang – próximo do que pretendiam com 100% de funcionamento.

“Nossa contribuição para a missão chinesa Chang’e 4 aumentou tremendamente”, disse Marc Klein Wolt, líder da equipe holandesa. “Temos a oportunidade de fazer nossas observações durante as noites de 14 dias atrás da Lua, tempo bem maior do que a ideia original. A Lua agora é nossa”, celebrou. A esperança dos pesquisadores é que o experimento os ajude a desvendar um pouco mais os mistérios da formação do universo.

 

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