Sexta-feira, 05 de junho de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Uma brasileira foi inocentada após passar 9 meses na prisão na Itália, acusada de tráfico de drogas

Compartilhe esta notícia:

Recifense ainda hoje lida com danos psicológicos vividos na prisão. (Foto: Reprodução)

Acusada de tráfico internacional de drogas, a brasileira Elaine Araújo Silva esteve nove meses detida e outros três meses em prisão domiciliar na Itália, antes de conseguir comprovar a sua inocência. Nove anos depois da sentença de absolvição, ela ainda sofre com crises de depressão e ataques de pânico, doenças que tiveram início durante o período de reclusão e que a obrigaram a deixar o emprego.

O caso voltou à tona recentemente, quando Elaine foi uma das entrevistadas do programa “Sono Innocente” (Sou Inocente), transmitido pelo canal público Rai 3. Elaine disse que só agora, depois de nove anos, consegue falar publicamente sobre a sua história.

“Depois da prisão passei a ter medo mesmo em situações normais de vida cotidiana. Até hoje preciso de acompanhamento farmacológico e psiquiátrico”, diz em entrevista a recifense de 42 anos. “Sempre trabalhei, mas tive que deixar o emprego por causa do trauma da prisão”, diz.

A depressão a levou até mesmo a perder o prazo legal, de dois anos, para solicitar o ressarcimento previsto pelo Estado italiano em casos de prisão injusta. “Elaine estava devastada psicologicamente. Mesmo tendo sido aconselhada a solicitar a reparação por detenção injusta, ela só queria esquecer toda aquela história. Não podíamos agir sem o seu consenso”, conta o advogado da brasileira, Piero Venture.

O valor atual previsto pela lei italiana para esta indenização é de 235,82 euros (cerca de R$ 990) por cada dia de reclusão e 177,91 euros (cerca de R$ 747) para cada dia de prisão domiciliar consideradas injustas. “Se tivesse feito a solicitação dentro do prazo de dois anos após o trânsito em julgado da sentença de absolvição, muito provavelmente ela teria recebido esta indenização”, afirma Venture.

O tormento de Elaine teve início em 7 de junho de 2008, após uma noite normal de trabalho como garçonete em uma discoteca na cidade de Rimini. “Cheguei em casa por volta das 3h da manhã. Tentei abrir a porta, mas ela estava fechada por dentro. Antes que eu tocasse a campainha, um rapaz que eu nunca vira me abriu a porta. Entrei e fui diretamente ao quarto da mãe da amiga com a qual eu morava, para perguntar quem era aquele homem. Ela me respondeu que era um amigo da filha e então fui dormir.”

No dia seguinte, Elaine foi acordada por policiais armados. Confusa, vestiu-se às pressas e foi acompanhada até a sala onde estavam a amiga, a mãe dela, e o rapaz que lhe abrira a porta, todos cidadãos dominicanos. A brasileira soube, então, que o jovem chegara da Espanha no dia anterior, trazendo cápsulas de cocaína no estômago. De acordo com os policiais, no momento da blitz a droga estava à vista, em cima da mesa.

Mesmo assustada, Elaine acreditava que conseguiria demonstrar a sua inocência rapidamente. Ela morava na Itália havia quase dez anos, trabalhava legalmente, tinha amigos e estava para se casar com um atleta turco, com o qual havia passado seis meses em Istambul e com quem iria viver nos Estados Unidos. Um dia antes da prisão, o namorado de Elaine, proprietário de uma rede de academia de artes marciais, viajara a trabalho para a Califórnia.

Prisão

Elaine foi levada para a delegacia junto com a mãe da amiga, uma senhora idosa que estava na Itália para passar uns dias com a filha, enquanto os outros dois acusados foram acompanhados em outra viatura. “A pressão psicológica dos policiais era enorme. As acusações e os termos usados por eles me deixaram desesperada. Assinei papéis sem mesmo tê-los lido, confiando que isso me ajudaria a ir embora. Ao mesmo tempo, eu tentava consolar a mãe da minha amiga, dizendo que era tudo um mal entendido e que logo seríamos liberadas”.

“Os policiais me deixaram fazer uma ligação, ma só tive tempo para dizer ao meu namorado que eu estava presa”, conta Elaine.

No mesmo dia, Elaine e a idosa dominicana foram transferidas para o cárcere de Forli. “Não pude acreditar quando vi abrirem-se os portões da penitenciária.”

Com o passar dos dias, além de ter suportado “na marra” a sua claustrofobia, Elaine pediu ajuda também ao Consulado brasileiro. “Escrevi várias cartas contando a minha situação e explicando que eu não estava bem de saúde. Recebi uma única resposta, onde diziam que o Consulado não poderia intervir em questões da Justiça italiana e, para me ajudar, mandaram-me selos para que eu enviasse cartas ao Brasil. Seria menos humilhante não ter recebido resposta alguma”, diz.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Ladrão leva choque de uma passageira enquanto assaltava um ônibus
Polícia Civil apreende mais de 200 comprimidos de Ecstasy com corretor de imóveis em Porto Alegre
Pode te interessar