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Mundo Uma das mais leais aliadas de Trump, secretária de Justiça teve gestão marcada pela tentativa de perseguição judicial a adversários do presidente

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Bondi deixa o cargo após pressão sobre condução de documentos ligados a Jeffrey Epstein. (Foto: Divulgação/Casa Branca)

Uma das faces mais conhecidas e controversas do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, Pam Bondi foi demitida do cargo de secretária de Justiça na última quinta-feira, encerrando 14 turbulentos meses marcados por tentativas de perseguição judicial contra algozes do republicano e pela maneira como lidou com a divulgação dos arquivos do caso de Jeffrey Epstein, um dos tópicos mais sensíveis no meio político do país. Sua imagem foi abalada pela condução do caso Epstein, um problema para a Casa Branca temporariamente eclipsado pela guerra no Irã.

No começo do ano passado, ela sugeriu que teria em mãos a suposta lista de clientes do financista, morto em 2019, e que divulgaria documentos do processo, uma velha demanda da base trumpista. Posteriormente, reconheceu que a “lista de Epstein” não existia, e sua relutância inicial em divulgar os milhões de arquivos em sigilo judicial foi criticada por todos os lados do espectro político americano.

Depois que os documentos vieram a público, foi atacada pela forma como ocorreu a publicação — o nome de Trump foi citado algumas dezenas de milhares de vezes, e há acusações sérias contra ele nos arquivos. Algumas vítimas ainda afirmam que seus nomes foram indevidamente revelados.

“Bondi lidou com os Arquivos Epstein de maneira terrível e prejudicou seriamente o presidente Trump”, disse em comunicado a deputada republicana Nancy Mace, que no mês passado votou a favor da convocação de Bondi para prestar depoimento no dia 14 de abril em uma comissão da Câmara.

Alguns no círculo íntimo de Trump há muito tempo estavam frustrados com o tratamento que Bondi deu aos arquivos do caso Epstein, acreditando que seus pronunciamentos sobre o assunto ajudaram a gerar a impressão de que a Casa Branca estava inapropriadamente retendo informações da opinião pública.

Muitos ficaram frustrados, em particular, porque ela disse em uma entrevista de fevereiro de 2025 na Fox News que uma lista de clientes de Epstein estava “sentada na minha mesa agora para revisar”, apenas para que o departamento afirmasse mais tarde que tal lista não existia. Desde então, Bondi disse que estava se referindo a toda a papelada relacionada à investigação do caso, como registros de voo, e não a uma lista específica de clientes.

“Pam Bondi é uma grande patriota americana e uma amiga leal, que serviu fielmente como minha secretária de Justiça durante o último ano”, escreveu Trump na rede Truth Social. “Amamos Pam, e ela fará a transição para um novo emprego muito necessário e importante no setor privado, cuja data será anunciada em breve, e nosso secretário adjunto, um jurista muito talentoso e respeitado, Todd Blanche, assumirá como interino.”

Em suas redes sociais, Bondi afirmou que “liderar os esforços históricos e extremamente bem-sucedidos do presidente Trump para tornar os Estados Unidos mais seguros foi a maior honra da minha vida e, sem dúvida, o primeiro ano mais importante do Departamento de Justiça na História americana”. Não está claro qual será seu próximo emprego: nos bastidores, alguns ventilam a hipótese de ser indicada juíza, e a menção feita pelo presidente a uma transição para o setor privado parece ser uma suposição.

Considerada leal a Trump, Bondi esteve à frente uma mudança histórica no Departamento de Justiça, marcada pela abertura de investigações contra pessoas vistas como hostis ao presidente. Sua lista de alvos inclui o presidente do Fed, o Banco Central americano, Jerome Powell, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, o ex-diretor do FBI, James Comey, e o ex-diretor da CIA, John Brennan. Além disso, o departamento lançou uma investigação sobre as alegações trumpistas de que houve fraude nas eleições de 2020, vencidas pelo democrata Joe Biden.

Neste processo, abriu mão de grande parte da independência histórica do departamento, seguido por uma saída em massa de de funcionários, deixando unidades de combate à corrupção pública e de segurança nacional enfraquecidas. Trump, porém, continuou irritado com a incapacidade de Bondi de garantir a condenação de seus algozes — os casos contra Comey e James, por exemplo, foram rejeitados por um tribunal federal.

“Não podemos adiar mais, isso está destruindo nossa reputação e credibilidade. Eles me destituíram duas vezes e me indiciaram (cinco vezes!), POR NADA. A JUSTIÇA PRECISA SER FEITA, AGORA!!!”, escreveu Trump em setembro passado.

Bondi rejeita as acusações de que politizou o Departamento de Justiça e afirma que sua missão era restaurar a credibilidade da instituição após o que descrevia como excessos da administração democrata do presidente Joe Biden em processos criminais federais contra Trump. Seus aliados argumentam que ela trabalhou para reorganizar processos internos, a fim de combater a imigração ilegal e o crime violento, e promoveu mudanças necessárias em uma agência que, segundo eles, visava injustamente os conservadores.

Publicamente, ela demonstrava uma lealdade inabalável ao presidente, com elogios e defesas no Congresso e a instalação de uma faixa com o rosto do republicano na fachada do departamento. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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