Sexta-feira, 24 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de abril de 2020
Sediada em Taquari, a empresa Beintec (Bender Inovações Tecnológicas) recebeu a LPI (Licença Prévia e de Instalação) da Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) para transformar resíduos hospitalares em biocombustível. O processo envolve a processará diariamente até 5 toneladas de lixo por meio de uma tecnologia brasileira de pirólise, um tipo de decomposição térmica.
Com o documento de liberação, o sistema deve entrar em operação dentro de um prazo de até três meses. O próximo passo será a análise dos protocolos de intenção sobre a destinação dos materiais às instituições de saúde.
Segundo a presidente da Fepam, Marjorie Kauffmann, trata-se de mais um passo na busca pelo desenvolvimento sustentável no Rio Grande do Sul: “A Política Nacional de Resíduos Sólidos orienta a busca por novas tecnologias para a otimização dos recursos naturais utilizando a matéria-prima extraída, o máximo de vezes possível, entendendo isso como sustentabilidade. A nossa gestão não só corrobora, como busca validar tecnologias alinhadas a este propósito”.
A pirólise ocorre por meio da exposição a altas temperaturas e se caracterizada como a ruptura da estrutura molecular original, a decomposição ou a alteração de um composto pela ação do calor em um ambiente com pouco ou nenhum oxigênio. Diferente de outras formas de tratamento de resíduos, a pirólise não libera substâncias nocivas na atmosfera.
O seu uso contribui para a redução de geração de gases poluentes, como o metano e o gás carbônico (principais agentes do efeito-estufa), ao evitar que os resíduos acabem em aterros sanitários, por exemplo.
Proprietário da Beintec, Felipe Bender explica que a empresa realiza estudos e testes nessa área desde 2007. Observando o volume crescente de resíduos hospitalares e industriais, ele percebeu algo que já era de conhecimento de especialistas: os aterros sanitários são uma das formas mais precárias de se tratar o lixo, pois acabam afetando grandes áreas territoriais e nem sempre há controles efetivos de poluição do solo e do ar.
Pensando nisso, Bender desenvolveu um equipamento que converte o rejeito em combustíveis alternativos com valor comercial agregado, como diesel, gasolina e gás natural, eliminando o descarte de outros resíduos no pós-processo.
A eficiência energética é o principal diferencial da tecnologia desenvolvida. Com o auxílio de catalisadores, é possível obter um processo completo em temperatura mais baixa do que a de outras técnicas utilizadas, sendo mais eficiente do que tecnologias já existentes.
Passo a passo
Os resíduos são inseridos em uma máquina de conversão energética, construída pela própria Beintec e ativada a partir de catalisadores. Os materiais são tratados conforme suas classificações, passando por um processo de moagem, para aumentar a densidade. Depois são encaminhados ao reator termoquímico, onde ocorrem as reações de volatilização – estado líquido para gasoso – e de fusão.
Somado ao catalisador, o resíduo inserido age no reator termoquímico em temperatura entre 200 °C a 350 °C. Nesse momento, uma série de reações produz gases que, condensados e separados, viram itens petroquímicos como gasolina, nafta, querosene de aviação e diesel. Os produtos podem ser utilizados como combustíveis alternativos em veículos e na geração de eletricidade.
Os gases não condensáveis são utilizados, em parte, no próprio reator termoquímico. As sobras viram combustíveis que podem ser utilizados para geração de energia elétrica no acionamento da máquina ou vendidos para empresas e fornecedores. A Fepam tem acompanhado o desenvolvimento do sistema.
“A atuação dos técnicos da fundação é primordial. Juntos, estamos verificando se o trabalho está adequado com todas as normas vigentes para que, no futuro, possamos atender não só demandas do Estado, mas também do Brasil”, finaliza Bender. “Como se trata de um processo não poluente, se comparado aos utilizados atualmente, desperta grande atenção do ponto-de-vista científico. Nosso balanço energético é positivo, produz mais energia do que consome.”
(Marcello Campos)
Os comentários estão desativados.