Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 27 de julho de 2017
A estudante Bruna Andressa Borges, de 19 anos, se suicidou e transmitiu ao vivo o ato na tarde desta quarta-feira (26) na vila militar, no bairro Bosque, em Rio Branco. Antes do ato, Bruna também postou mensagens no Facebook em que se dizia machucada. Ela cursava o 3º período de ciências sociais na UFAC (Universidade Federal do Acre).
O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado às 16h16, mas foi direcionado para o endereço errado.
“A princípio, os amigos ligaram para que nós pudéssemos contê-la, mas passaram o endereço errado, que era onde ela morava antes de ter se mudado para a vila. E nesse local, ninguém sabia informar onde ela estava morando agora. Infelizmente, não chegamos a tempo de conter devido a esse desencontro”, explica o major do Corpo de Bombeiros, Cláudio Falcão.
A reportagem conseguiu entrar em contato com uma tia da menina que mora em Belém. Ela disse que ficou sabendo da notícia através de amigos da família. Os pais da adolescente registraram o ocorrido na Defla (Delegacia de Flagrantes).
Taxa de suicídio entre jovens sobe 10% desde 2002
Conforme números do Mapa da Violência 2017, estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do SIM (Sistema de Informações de Mortalidade) do Ministério da Saúde, o suicídio de jovens cresce de modo lento, mas constante no Brasil: eles mostram que, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10%.
Diante de uma série histórica mais longa de dados é possível ver que o fenômeno não é recente nem isolado sobre o que acontece com a população brasileira. Em 1980, a taxa de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos era de 4,4 por 100 mil habitantes; chegou a 4,1 em 1990 e a 4,5 em 2000. Assim, entre 1980 a 2014, houve um crescimento de 27,2%.
Criador do Mapa da Violência, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz destaca que o suicídio também cresce no conjunto da população brasileira. A taxa aumentou 60% desde 1980.
Em números absolutos, foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos em 2014, um dado que costuma desaparecer diante da estatística dos homicídios na mesma faixa etária, cerca de 30 mil.
O sociólogo aponta Estados do Centro-Oeste e Norte em que a taxa de suicídio de jovens é maior, num fenômeno que os especialistas costumam associar aos suicídios entre indígenas: Mato Grosso do Sul (13,6) e Amazonas (11,9).
Na faixa etária de 15 a 29 anos, a taxa de suicídio tem se mantido sempre um pouco acima da verificada na população brasileira como um todo, segundo a publicação “Os Jovens do Brasil”, lançada por Waiselfisz em 2014, com um capítulo sobre o tema.
Segundo a publicação, o Brasil ainda apresenta taxas de suicídio relativamente baixas na comparação internacional feita com base em dados compilados pela ONU.
Em países como Coreia do Sul e Lituânia, a taxa no conjunto da população supera 30 por 100 mil habitantes; entre jovens, supera 25 por 100 mil habitantes na Rússia, na Bielorússia e no Cazaquistão.
Em números absolutos, porém, o Brasil de dimensões continentais ganha visibilidade nos relatórios: é o oitavo país com maior número de suicídios no mundo, segundo ranking divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2014. (AG)
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