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Brasil Uma pesquisa revela preconceito contra mulheres no mercado de Tecnologia da Informação

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(Foto: Reprodução)

A presença das mulheres no mercado de TI (Tecnologia da Informação) ainda é tímida. E aquelas que conseguem uma oportunidade sofrem com o preconceito de gênero. É o que revela um estudo realizado pela Yoctoo, consultoria de recrutamento especializada na seleção de profissionais de TI e digital.

De acordo com o levantamento, 82,8% das mulheres entrevistadas disseram já ter sofrido preconceito de gênero no ambiente de trabalho. “É um cenário preocupante, que mostra o quanto ainda estamos longe de tornar a área de tecnologia um ambiente igualitário”, afirma Paulo Exel, diretor da Yoctoo.

As empresas também “engatinham” em políticas de diversidade e inclusão, na opinião de 91% das entrevistadas ouvida pela pesquisa. As mulheres também acreditam que o ambiente familiar não incentiva que meninas busquem carreiras ligadas à tecnologia. “Isso ajuda a a explicar o motivo de ainda vermos poucas mulheres em cursos relacionados à tecnologia ou interessadas em seguir carreira na área”, comenta Paulo Exel.

Sobre as principais dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado de TI, 42% declaram que precisam provar o tempo todo que são competentes tecnicamente.

Diferença salarial

O mercado de trabalho brasileiro mostra que as mulheres ainda têm um longo caminho a percorrer para obter o mesmo reconhecimento que os homens. Pesquisa realizada pelo site de empregos Catho neste ano com quase 8 mil profissionais mostra que elas ganham menos que os colegas do sexo oposto em todos os cargos, áreas de atuação e níveis de escolaridade pesquisados – a diferença salarial chega a quase 53%.

Além disso, mulheres ainda são minoria ocupando posições nos principais cargos de gestão, como diretoria, por exemplo.

Para Kátia Garcia, gerente de relacionamento com cliente da Catho, apesar de ainda existir uma grande desigualdade entre homens e mulheres, houve um avanço, mesmo que tímido. E reconhece que levará tempo até que as condições sejam equiparadas.

“Embora o cenário esteja longe do ideal, não podemos dizer que não há melhora. Aumentou a ocupação da mulher no mercado de um modo geral e também nos cargos de chefia”, diz.

Nível de escolaridade

A pesquisa mostra que as maiores diferenças salariais se dão entre os profissionais de nível superior e com MBA – as mulheres ganham quase a metade do salário dos homens. O percentual é atenuado conforme a escolaridade vai diminuindo, mas o salário dos homens é superior em todos os níveis de escolaridade.

Kátia diz que essa diferença pode ser explicada pelo fato de as profissionais interromperem a vida profissional por causa da maternidade ou por mudarem de carreira e começarem do zero em outra com mais frequência que os homens.

Segundo ela, estudo anterior feito pela Catho mostra que as mulheres interrompem a carreira seis vezes mais que os homens com a chegada dos filhos.

Cargos

O levantamento mostra que quando as mulheres ocupam cargos de presidente e diretor recebem em média 32% a menos que os homens. No cargo de consultor, a diferença chega a quase 39%. As menores diferenças estão nos cargos de auxiliar/assistente e estagiário/trainee.

Kátia considera que o contexto histórico explica tantas diferenças reveladas pela pesquisa. “O fato de a mulher ter entrado no mercado mais tarde, ter tido acesso a escolaridade mais tarde, ter atribuição principal sobre a maternidade, tudo isso contribui para que o processo de carreira seja mais lento e existam essas diferenças”, explica.

Já em relação à distribuição das mulheres entre cargos de gestão pesquisados, houve uma pequena melhora desde 2011, mas as desigualdades ainda aparecem e aumentam à medida que o nível hierárquico sobe.

O cargo de presidente é o que tem a menor proporção de mulheres – 25,85% em 2017 – e apresenta o menor crescimento em comparação a 2011 – aumento de 2,94 pontos percentuais.

Já o cargo de encarregado, o mais baixo entre os pesquisados em nível de gestão, tem a maior proporção de mulheres – 61,57%.

Kátia considera que a questão da maternidade pode desacelerar a carreira das mulheres, o que pode explicar tamanha desproporção e o fato de elas terem maior participação nos cargos mais baixos da hierarquia.

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