Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de junho de 2018
A UniRV (Universidade de Rio Verde), no sudoeste de Goiás, exonerou o professor que formulou e aplicou uma prova com teor homofóbico para uma turma do curso de medicina. A exoneração, ocorrida na quarta-feira (27) e assinada pelo reitor da instituição, Sebastião Lázaro Pereira, se deu após denúncias anônimas de um grupo de estudantes.
O enunciado da questão afirma que o paciente Davi, de 24 anos, estava com abscesso na nádega “e seu noivo serelepe, ao ver aquele quadro horroroso, ficou tresloucado e furou o abscesso com espinho de limoeiro em um movimento rodopiante de bailarino, imitando um beija-flor”.
O nome do professor não foi revelado. Na nota em que informa o desligamento, a UniRV afirmou ainda que “repudia veemente a atitude do professor e destaca que esse comportamento isolado não reflete o pensamento da instituição”.
O comunicado pontua ainda que, em 45 anos de existência, a universidade tem como princípio “pugnar pela dignidade da pessoa humana, seus direitos fundamentais, vedando quaisquer discriminações filosóficas, políticas, religiosas, raciais, de gênero ou classe”.
Por fim, a UniRV alegou que visa “difundir os valores éticos e de liberdade”, respeitando sempre os “princípios de respeito e valorização às diferenças”.
Revolta
A prova, de acordo com o grupo de estudantes, foi aplicada na semana passada para os 67 estudantes da disciplina de clínica cirúrgica, do 5º período de medicina. Um dos alunos, que preferiu não se identificar por medo de represália, criticou a postura do professor.
“Medicina é uma profissão a serviço da saúde da comunidade. Então, um professor elaborar uma questão desse cunho… Ele não tem que criar nenhum tipo de discriminação, independentemente da questão orientação da pessoa”, afirmou.
“Foi uma questão elaborada por ele mesmo e que foi de cunho extremamente homofóbico”, completou o estudante.
Investigação
Na primeira nota emitida, a Universidade de Rio Verde disse que havia aberto um processo administrativo para averiguar a veracidade da denúncia, já que ela havia sido anônima, e também se a questão foi de fato utilizada na prova, em qual turma, por qual professor e, ainda, se o conteúdo estava na questão.
A nota dizia, ainda, que, se os fatos fossem comprovados, a universidade iria tomar as providências previstas no regimento interno da instituição.
Professor
O professor de medicina demitido após a aplicação de uma prova com conteúdo homofóbico na Universidade de Rio Verde, disse que não vê “nenhum tipo de preconceito na questão”. Ele afirmou que a questão foi retirada de um banco de dados da internet, mas que ela foi colocada na avaliação de maneira equivocada por sua secretária.
O professor Antônio Moraes Filho explicou, em uma mensagem enviada por aplicativo de mensagens, que não é homofóbico. “Sei que poderia ser interpretado como uma brincadeira de muito mau gosto. Todo mundo que me conhece sabe que sou uma pessoa que respeita a todos”, se defendeu.
O médico diz que não foi o responsável pela elaboração da questão. “Eu selecionei algumas questões de um banco de dados da internet e grifei [a questão] censurando e enviei para minha secretária […] Infelizmente acreditei no trabalho dela que ela teria entendido que a questão estaria censurada e não chequei […] e aconteceu todo esse constrangimento”, contou.
Por fim, ele termina a conversa reforçando que não é preconceituoso, pois tem “amigos homossexuais, pessoas na família, pacientes homossexuais”.
O pró-reitor de Administração e Planejamento da Universidade de Rio Verde, Alberto Barella Netto, informou que as explicações não justificam o erro. “Quem manda na sala de aula é o professor. Quem elabora a questão de prova são os professores, quem corrige as questões são os professores. Então, a responsabilidade é total do professor”, disse.
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