Terça-feira, 24 de março de 2026
Por Redação O Sul | 23 de março de 2026
A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, anunciou que o acordo comercial do bloco com o Mercosul será aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio. Em janeiro, o Parlamento Europeu solicitou uma revisão judicial da legalidade do acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, que congelou a assinatura do tratado.
Enquanto aguarda uma decisão do Tribunal de Justiça da UE dentro de um ano e meio, a Comissão optou pela aplicação provisória deste acordo, que tem sido alvo de fortes críticas por parte do setor agrícola francês, mas apoiado pelos governos da Alemanha e da Espanha.
“A aplicação provisória facilitará a eliminação imediata de algumas tarifas”, enfatizou a Comissão Europeia.
Este tratado facilitaria a exportação, pela UE, de mais automóveis, máquinas, vinho e outras bebidas alcoólicas para o bloco sul-americano, assim como a importação de carne bovina, aves, açúcar, arroz, mel e soja dos países do Mercosul para a Europa.
Segundo seus defensores, o acordo impulsionará a economia europeia, afetada pela concorrência da China e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Contudo, seus detratores argumentam que ele poderá prejudicar a agricultura europeia com produtos importados mais baratos, que nem sempre cumprem as normas da UE devido a controles insuficientes.
O acordo será aplicado provisoriamente aos países do Mercosul que concluíram seus procedimentos de ratificação e notificarem a UE até o final de março.
“Argentina, Brasil e Uruguai já o fizeram. O Paraguai ratificou recentemente o acordo e deverá enviar sua notificação em breve”, afirmou a Comissão Europeia.
Governo e oposição
O governo brasileiro e a oposição receberam com satisfação o sinal verde para a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, a partir de 1º de maio, conforme anunciado por Bruxelas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou o acordo como “uma oportunidade histórica” e destacou a urgência de transformá-lo em resultados concretos. “É o maior acordo interblocos do mundo: devemos agir rapidamente para transformá-lo em investimentos, empregos e crescimento”, afirmou.
Para o governo, o avanço representa um movimento estratégico para ampliar a inserção do Brasil nos mercados globais, mas sua eficácia dependerá da capacidade de transformar oportunidades em resultados efetivos.
A oposição também manifestou apoio. A senadora Tereza Cristina classificou o acordo como um “marco importante”, mas fez um alerta sobre os desafios à frente. “Não basta comemorar: precisamos defendê-lo, implementá-lo e explorar plenamente seus benefícios”, declarou.
Segundo a parlamentar, o pacto abre perspectivas em setores-chave como comércio, investimentos e tecnologia, mas exigirá ajustes internos, coordenação entre diferentes instituições e apoio aos setores mais expostos à concorrência internacional. As informações são das agências de notícias AFP e Ansa.
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