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Últimas Universidade de Pelotas colabora com a Fiocruz em pesquisa de nova vacina contra o coronavírus

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O ensaio é realizado por meio de sondas, que identificam mutações no genoma do vírus.

Foto: Divulgação
Previsão é que mais 12 milhões de doses sejam entregues este mês. (Foto: Divulgação/Fiocruz)

Com reconhecido protagonismo em uma série de estudos referentes à pandemia, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) dará mais um passo nesse sentido: o engajamento à equipe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que se dedica ao desenvolvimento de uma nova vacina contra o coronavírus. São pelo menos 15 profissionais das mais variadas instituições brasileiras.

Também participam representantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Butantã-SP e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP), liderados pelo pesquisador mineiro Alexandre Vieira Machado.

Em todo o mundo, cerca de 200 grupos de cientistas trabalham intensamente para chegar a mais um imunizante seguro e eficaz contra a covid. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos oito delas já iniciaram a fase clínica, com testes em seres humanos. Vale lembrar que a Fiocruz já possui extenso “know-how” na produção da vacina de Oxford-Astrazeneca no Brasil.

De acordo com Machado, o Instituto do Coração (Incor) de São Paulo também trabalha no desenvolvimento da vacina, liderado pelo médico Jorge Kalil, com uma troca de informações entre as duas equipes. “Esperamos poder utilizar os estudos deles junto com o nosso em alguns testes”, ressalta.

Ele explica, ainda, que o trabalho de sua equipe está sendo feito a partir de algum conhecimento acumulado com o Sars-CoV-1 ( vírus que registrou 8.098 casos e deixou 774 mortos em 26 países entre 2002 e 2003, com foco principal na Ásia) e tem por base o vírus influenza recombinante, uma outra doença com sintomas respiratórios e mais grave em idosos, de forma semelhante ao que acontece na pandemia de coronavírus.

Dupla proteção

“Modificamos geneticamente o vírus influenza, causador da gripe, para que produza tanto as proteínas desse vírus quanto uma proteína que chamamos de ‘imunogênica’, capaz de induzir resposta imune ao Sars-CoV-2″, detalha. O objetivo final é ambicioso: obter um fármaco que ofereça proteção contra ambas as doenças.

Embora promissor, esse trabalho ainda está longe de ser concluído. O desenvolvimento laboratorial, com testes em camundongos, deve ser concluído apenas em meados de 2022, para só então iniciar a fase clínica, a mais complexa e também a mais cara, pois exige mais estrutura, pessoal especializado e condições sanitárias específicas.

“É fundamental que as instituições públicas do Brasil desenvolvam a vacina com tecnologia própria, para que o País seja capaz de proteger a sua população sem depender de outras patentes industriais, muitas vezes desenvolvidas por empresas privadas”, prossegue Machado, acrescentando um questionamento:

“Qual a garantia que o Brasil tem, se um laboratório no exterior conseguir produzir, que terá acesso a ela? E em tempo hábil? Então o Brasil ter uma vacina própria, com tecnologia própria, é soberania nacional e independência tecnológica. Hoje, vacina é geopolítica e ciência é poder”.

(Marcello Campos)

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