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Brasil O Uruguai convoca o embaixador brasileiro para explicar a declaração de Bolsonaro sobre a eleição naquele país

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A equação envolve remanejamentos de pastas para onde há maior movimentação de emendas parlamentares, e assim ele atende melhor os partidos aliados. (Foto: José Dias/PR)

O governo uruguaio convocou nesta quinta-feira (31) o embaixador brasileiro em Montevidéu, Antônio Simões, para que ele dê explicações sobre declarações de Jair Bolsonaro envolvendo as eleições no país vizinho.

O Uruguai é desde 2005 comandado por uma coalizão de centro-esquerda, a Frente Ampla. O candidato do grupo, Daniel Martínez, venceu o primeiro turno realizado no último domingo (27), mas terá que disputar o segundo turno contra o senador oposicionista Luis Lacalle Pou, da sigla de centro-direita Partido Nacional.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na última terça-feira (29), Bolsonaro declarou que nunca teve problemas com o atual presidente uruguaio, Tabaré Vázquez (da Frente Ampla), mas que prefere uma vitória de Lacalle Pou, com quem disse ter mais proximidade no pensamento econômico.

É sobre estas declarações que o diplomata brasileiro terá que dar explicações, de acordo com o comunicado do Ministério de Relações Exteriores do Uruguai. As afirmações foram dadas em meio a críticas do brasileiro ao presidente eleito da Argentina, o peronista Alberto Fernández – Bolsonaro deu repetidamente apoio ao candidato de centro-direita, Mauricio Macri, que buscava a reeleição.

A fala do presidente Jair Bolsonaro sobre as eleições uruguaias não foi bem recebida no país e o próprio Lacalle Pou tentou se afastar do brasileiro na quarta-feira (30). “Não me parece uma coisa boa que diferentes políticos, e nesse caso um governante, opinem sobre o que pode acontecer em outro país”, afirmou ele ao jornal local El Observador.

“O Uruguai, por sorte, não decide o que os brasileiros pensam, decide apenas o que acontece e o que precisam os uruguaios”, disse o candidato opositor. Antes do primeiro turno, porém, Martínez disse que estava pronto para negociar com o brasileiro caso vencesse. “Há valores que Bolsonaro expressa e coisas que [ele] faz que, não vou mentir, eu seria hipócrita se dissesse que concordo com elas”, afirmou ele.

“Também não gosto de [Donald] Trump. Isso não significa que vamos ter um problema”, disse ele. “Meu dever é procurar melhorar as relações entre os povos”, resumiu. O segundo turno no Uruguai vai acontecer no dia 24 de novembro.

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