Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020

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Mundo Uruguai vai às urnas para o segundo turno das eleições presidenciais no domingo

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Os candidatos são o governista Daniel Martínez e o liberal-conservador Luis Lacalle Pou.

Foto: Reprodução/Twitter
Os candidatos são o governista Daniel Martínez e o liberal-conservador Luis Lacalle Pou. (Foto: Reprodução/Twitter)

Neste domingo (24) os uruguaios voltam às urnas para o segundo turno das eleições presidenciais. O país irá decidir se a série de três mandatos da coalizão de esquerda Frente Ampla segue ou não. Os candidatos são o governista Daniel Martínez e o liberal-conservador Luis Lacalle Pou.

Embora Martínez tenha terminado o primeiro turno na frente, com cerca de 40% dos votos, Lacalle Pou aparece na dianteira em todas as pesquisas de opinião nesta segunda rodada, segundo o jornal uruguaio “El País”.

O candidato direitista conseguiu apoio de duas grandes forças políticas do Uruguai: os liberais do Partido Colorado e os nacionalistas do Cabildo Abierto. Ambos os grupos tiveram candidatos no primeiro turno e foram derrotados.

Se a expectativa se confirmar, Lacalle Pou interromperá 15 anos de governo da Frente Ampla, em que Tabaré Vázquez e José “Pepe” Mujica se alternaram em mandatos de cinco anos.

Também poderá ser a volta do Partido Nacional — conhecido como Partido Blanco — à presidência do Uruguai. A última vez em que isso ocorreu foi entre 1990 e 1995, justamento no governo de Luis Alberto Lacalle, pai do atual presidenciável.

Cenário

A segurança pública dominou o debate no primeiro turno — até porque, ao mesmo tempo, os eleitores votaram em plebiscito se aprovavam reforma constitucional semelhante a um pacote anti-crime. O projeto, porém, não teve apoio de nenhum candidato e acabou rejeitado.

Em 2018, a taxa de homicídios no Uruguai chegou a 11,8 a cada 100 mil habitantes. É a primeira vez que o índice chegou a dois dígitos na história do país. Com isso, segundo o “El País”, somente Venezuela, Brasil e Colômbia tiveram maior proporção de mortes violentas no ano passado.

Também está em jogo a economia do Uruguai, cujo crescimento do PIB vem desacelerando desde 2013. Segundo a BBC, apenas 22% dos uruguaios consideram que a situação econômica do país esteja boa.

Relações internacionais

Embora o Uruguai esteja relativamente estável quanto às instituições, a América do Sul passa por uma onda de protestos e crises. Por isso, o relacionamento do próximo governo com os vizinhos também é um ponto de atenção: o atual presidente não reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela e considerou “golpe de estado” a saída de Evo Morales da presidência da Bolívia.

Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do Uruguai convocou o embaixador brasileiro Antônio Simões para pedir explicações sobre a declaração de apoio por parte do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a Lacalle Pou.

O próprio Lacalle Pou criticou as declarações de Bolsonaro. “Acho que não é bom que os políticos, e nesse caso governantes, opinem sobre o que pode acontecer em outro país”, disse Lacalle Pou em declaração ao jornal uruguaio El Observador.

Daniel Martínez – Frente Ampla

Candidato da situação e ex-prefeito de Montevidéu, Martínez não é visto pela principal coalizão de esquerda como um grande líder tal qual Vázquez e o ex-presidente José “Pepe” Mujica. O desafio a ele aumenta porque, se eleito, ele terá de lidar com cisões dentro da própria Frente Ampla e com um Congresso bastante fragmentado.

Engenheiro de 62 anos, Martínez tem uma visão de economia mais pró-mercado do que outros companheiros de partido. Além disso, ainda em abril, ele reconheceu a necessidade de reforçar a segurança com instalação de câmeras de vigilância e fortalecer a polícia comunitária.

Luis Lacalle Pou – Partido Nacional

O advogado de 46 anos é a principal aposta da direita uruguaia para retornar ao poder após 15 anos de governos da Frente Ampla. O candidato propõe reequilibrar as contas públicas – o site oficial de campanha acusa o atual governo de acumular dívidas e permitir falência de empresas com capital estatal, como a companhia aérea Pluna, que fechou as operações em 2012.

Lacalle tenta se descolar da imagem de Mauricio Macri, derrotado na tentativa de reeleição há menos de um mês. Martínez, inclusive, chegou a comparar Lacalle com Macri em um debate, e o candidato direitista respondeu: “Essa comparação é simplista, e eu não o comparei com Kirchner”.

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