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Geral Usina de Fukushima joga no Oceano Pacífico água radioativa que resultou de acidente nuclear

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Galões armazenam água contaminada retirada da usina nuclear de Fukushima, no Japão, em imagem de 2019. (Foto: Reprodução)

Doze anos depois do desastre nuclear, a usina de Fukushima, no Japão, começou a lançar na semana passada 1,3 mil toneladas de água radioativa tratada no Oceano Pacífico – um plano que vem sendo contestado por muitos japoneses, mas que é considerado seguro por especialistas internacionais.

Em 11 de março de 2011, um terremoto seguido de um tsunami destruiu a usina nuclear de Fukushima. No desastre que se seguiu, três reatores derreteram e contaminaram a água de resfriamento das estruturas, que, depois disso, vem vazando continuamente.

A água do vazamento vinha sendo coletada, filtrada e guardada em tanques, cuja capacidade máxima seria atingida no início de 2024. O governo japonês e a operadora da usina, a Tokyo Eletric Power Company (Tepco), estavam com dificuldades para gerenciar o gigantesco volume de água contaminada acumulada ao longo de 12 anos. Segundo as autoridades, ela precisa ser removida para que a usina seja desativada. Além disso, há risco de vazamento dos tanques.

Foram anos de coleta de amostras, pesquisa e modelagem, mas, no mês passado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, aprovou o plano de descarte de água no oceano. A Autoridade Japonesa de Regulação Nuclear também aprovou a proposta, indicando que a Tepco tinha autoridade para começar o descarte imediatamente.

O plano consiste em tratar a água contaminada, diluí-la num volume de água do mar até cem vezes maior e, só então, lançá-la no Oceano Pacífico, por um túnel submarino de 1 km de comprimento. Segundo eles, o plano tem um nível de segurança superior ao preconizado pelas instituições internacionais. “Nosso plano é científico e seguro e é muito importante que isso seja comunicado de forma firme”, afirmou Tomohiko Mayuzumi, representante da Tepco, em entrevista à agência Associated Press (AP).

O aval ao plano foi dado pelo primeiro ministro japonês Fumio Kishida dois dias antes do início do descarte, numa reunião com ministros. Kishida disse na ocasião que o governo fez de tudo para garantir a segurança do plano e proteger a reputação da indústria pesqueira do Japão. Ele prometeu que o governo continuará com esses esforços até o fim da liberação, o que levará décadas.

Na quarta-feira, o governo japonês divulgou nas redes sociais um vídeo no qual Kishida aparece comendo peixe de Fukushima para promover produtos da região, após restrições chinesas a pescados japoneses relacionadas ao despejo das águas. “Está muito bom”, diz Kishida no vídeo ao comer um sashimi.

“Sempre que surgem as palavras nuclear e radiação, as pessoas surtam”, diz a física nuclear Débora Menezes, diretora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e integrante da Academia Brasileira de Ciência (ABC). “Desde a 2.ª Guerra Mundial, sempre que se fala em nuclear, a primeira coisa que vem à cabeça das pessoas é a bomba, os efeitos da radiação, o lixo atômico. Isso é desinformação. Não é porque algo é radioativo que é cancerígeno. A radiação está por toda parte, nosso corpo emite radiação, a banana é radioativa. Se formos levar tudo isso ao extremo, a gente não vive.”

A radioatividade da água tratada é tão baixa que, quando ela chegar ao oceano, será rapidamente dispersada e se tornará indetectável, segundo o professor de química ambiental Katsumi Shozugawa, da Universidade de Tóquio, em entrevista à revista Wired.

O relatório da AIEA, enviado diretamente ao primeiro-ministro, concluiu que o método anunciado para o descarte da água está de acordo com os parâmetros internacionais e o impacto ambiental e na saúde humana seria insignificante. Diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi garantiu que a radioatividade da água será praticamente indetectável.

De forma geral, os cientistas concordam que o impacto ambiental seria indetectável, mas alguns lembram que os dados sobre seus efeitos a longo prazo na vida marinha e no ambiente são escassos. O professor Shozugawa, que vem medindo a radioatividade em amostras de água, peixes e plantas nas proximidades da usina japonesa desde o desastre, diz que o trabalho de 12 anos de análise de amostras revela baixo volume de radioatividade proveniente dos vazamentos nos lençóis freáticos e no porto próximo da usina.

A Tepco diz que não há novos vazamentos e atribuiu os níveis de Césio algumas vezes detectados em peixes capturados no porto à contaminação de sedimentos pelos vazamentos iniciais e à drenagem de água de chuva.

Após o descarte, o oceano seguirá sendo monitorado. A pesquisadora Núria Casacuberta Arola, da Universidade Pública de Zurique, na Suíça, é uma das cientistas internacionais que farão o monitoramento. “Nós temos acesso a um navio que vai à costa de Fukushima todo ano, algumas vezes, duas vezes por ano”, afirmou Núria.

A pesquisadora e seus colegas regularmente coletam amostras da água do mar perto da usina em diferentes profundidades. Os cientistas coletam também amostras de sedimentos do leito do mar. O grupo acredita que, nos próximos meses, poderá dizer se o descarte da água tratada no Pacífico causará algum tipo de contaminação radioativa. Se houver alta significativa dos níveis de radiação, será um claro sinal de que algo deu muito errado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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