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Saúde Vacinação melhora no mundo, mas não alcança taxa pré-covid

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A cobertura vacinal a nível global melhorou em 2025, mas 13,5 milhões de bebês ainda eram “zero-dose”. (Foto: Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde)

A cobertura vacinal a nível global melhorou em 2025, mas 13,5 milhões de bebês ainda eram “zero-dose”, ou seja, não receberam nenhuma proteção durante o primeiro ano de vida, mostram novos dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O indicador utilizado pelas autoridades é a cobertura com a vacina tríplice bacteriana (DTP), que previne difteria, tétano e coqueluche. O esquema envolve três doses, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade. No ano passado, 90% dos bebês do mundo receberam a primeira dose, equivalente a 116 milhões de indivíduos.

Foram quase 750 mil bebês “zero-dose” a menos do que em 2024. Além disso, a cobertura subiu em relação aos três anos anteriores, de 2022 a 2024, em que se manteve em 89%. Nos dois anos mais críticos da pandemia, 2020 e 2021, o percentual chegou a cair para 88% e 86%, respectivamente.

No entanto, a cobertura permanece abaixo dos 91% alcançados em 2019, antes da crise sanitária da Covid-19, e semelhante aos níveis registrados em 2009, quase duas décadas atrás. O mesmo cenário é observado entre aquelas que completaram o esquema com as três doses da DTP.

O percentual de crianças com as três doses chegou a 85% em 2025, o equivalente a 110 milhões de bebês, também uma melhora em relação aos cinco anos anteriores, quando o percentual variou de 81% a 84%. Porém, ainda abaixo dos 86% registrados em 2019. O número de bebês que iniciaram, mas não terminaram o esquema vacinal, no ano passado, foi de 7,3 milhões.

“Estamos avançando, mas não com a velocidade que deveríamos. A cada dia, crianças estão morrendo por doenças que poderiam ser totalmente evitadas. O número de crianças ‘zero-dose’ está diminuindo, o que é ótimo. Mas há um abandono vacinal grande e vemos que ainda não conseguimos recuperar o patamar pré-pandemia”, diz Luciana Phebo, chefe de Saúde do Unicef no Brasil.

Mais da metade de todas as crianças “zero-dose” vive em contextos de fragilidade ou afetados por conflitos, embora esses locais concentrem apenas um terço da população infantil mundial. Os programas de imunização frequentemente enfrentam dificuldades devido a instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico, alertam a OMS e o Unicef.

“Toda criança, nascida na riqueza ou na pobreza, em tempos de paz ou de conflito, merece a proteção que salva vidas oferecida pelas vacinas. A imunização é uma das intervenções mais custo-efetivas, equitativas e confiáveis para proteger a saúde e o bem-estar das crianças”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em nota.

As únicas regiões do mundo que conseguiram recuperar a cobertura do período pré-pandemia, e até ultrapassá-la, foram as Américas e o Sudeste Asiático. No ano passado, 92% dos bebês receberam a primeira dose da DTP nas Américas, e 86% completaram o esquema. Antes da Covid-19, os percentuais eram de 89% e 84%, respectivamente.

No Brasil, 98% receberam a primeira dose, contra 79% em 2019. Já a terceira dose alcançou 86% dos bebês, o que, embora seja uma queda em relação aos 90% de 2024, é maior que os 70% registrados antes da pandemia. Em relação ao número de crianças “zero-dose”, houve uma diminuição de 255 mil para somente 50 mil em 2025.

“O Brasil vive um momento de recuperação de coberturas vacinais, que vem sendo progressiva e consistente, revertendo aquela tendência de queda que observamos de forma acentuada na pandemia, mas que tinha começado lá em 2016. Para a grande maioria das vacinas, tivemos aumentos importantes, ainda que não tenhamos conseguido alcançar a meta de 95%. Precisamos continuar trabalhando para consolidar essa recuperação e voltar a atingir o necessário”, afirma a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo.

Os números mostram um cenário semelhante quando analisada a cobertura com outra vacina importante, a tríplice viral, que previne sarampo, rubéola e caxumba. O sarampo, uma das doenças mais contagiosas do mundo, foi eliminada de países como o Brasil, mas a baixa vacinação mantém o vírus circulando em muitos lugares do mundo, como na Europa, o que eleva o risco de reintrodução no território brasileiro, como ocorreu em 2018.

A proteção é composta por um esquema de duas doses, uma aos 12 meses de idade e outra aos 15 meses. A nível global, a cobertura com a primeira foi de 84% em 2025, enquanto em 2019 era de 86%. Com a segunda dose, porém, o cenário é diferente: 77% completaram o esquema no ano passado, percentual que era inferior, de 71%, antes da pandemia.

Ambos os índices, porém, permanecem muito abaixo do patamar de 95% necessário para prevenir surtos do vírus, alertam as autoridades. Como consequência, 57 países registraram surtos grandes ou de grande impacto de sarampo em 2025.

“Um dos principais desafios é diminuir a taxa de abandono, muitas crianças não completam o esquema vacinal. E a falta de medo da doença, por ela não ser mais tão comum, como ocorre também com a pólio, acaba contribuindo para a perda de percepção de risco e a negligência com a vacinação. Mas todas as doenças podem voltar se baixarmos a guarda”, alerta Flávia.

Nas Américas, a cobertura com a primeira e a segunda dose da tríplice viral no ano passado foi, respectivamente, de 88% e 78%, novamente acima do observado na média global e do registrado em 2019. No Brasil, o percentual com a primeira foi de 90%, uma queda em relação aos 96% observados em 2024. Para o esquema completo, foi de 76%, contra 81% do ano anterior. Antes da pandemia, os percentuais eram de 91% e 54%.

“No Brasil, iniciativas como a vacinação nas escolas são muito importantes, chegar às crianças onde elas estão, isso tem ajudado. Precisamos também de busca ativa para encontrar as crianças desprotegidas e vaciná-las. Mas o país avançou também em outra frente, que é a interoperabilidade dos sistemas de saúde. Então há uma melhora da cobertura que também é reflexo da melhor qualidade dos registros e dos sistemas”, explica Luciana.

Flávia acrescenta que a desinformação e hesitação vacinal também seguem como desafios importantes a serem superados, que demandam uma esforço contínuo de comunicação das autoridades de saúde sobre a importância de ter a imunização em dia. Ela lembra que o território brasileiro é extenso e que as coberturas precisam ser elevadas por todo o país:

“Precisamos que a cobertura seja homogênea para termos a imunidade coletiva. Se tivermos bolsões de baixa cobertura, vamos propiciar ambientes com suscetíveis em que a doença pode se disseminar. São geralmente os locais em que nascem os surtos, que podem se espalhar pelo país.” As informações são do jornal O Globo.

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