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Saúde “Vamos deixar de bobagem e vamos vacinar”, diz o chefe da Anvisa

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"Nós temos 301 crianças mortas na faixa de 5 a 11 anos desde que a covid começou", declarou Barra Torres. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O contra-almirante e médico Antônio Barra Torres, de 57 anos, chegou ao cargo de diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por indicação do presidente Jair Bolsonaro. Em dezembro de 2019, alguns dias antes dos primeiros registros de covid-19 em Wuhan, na China, ele assumiu interinamente o cargo, do qual viraria titular no ano seguinte.

Alguns meses depois, participou, ao lado do presidente, de um ato público em Brasília sem máscara. Críticos temeram que, pela proximidade entre os dois, a agência tivesse uma gestão mais política do que técnica em meio à maior epidemia em um século. Aos poucos, porém, o presidente da Anvisa descolou sua imagem da de Bolsonaro, assumindo um discurso de defesa da ciência.

Desde o início da pandemia, a Anvisa autorizou mais de cem estudos clínicos de medicamentos e vacinas contra a covid-19 e teve papel importante no enfrentamento da pandemia no País. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Barra Torres defende com ênfase as vacinas contra a covid-19, prega o uso de máscaras e pede à população que evite aglomerações desnecessárias – posturas bem diferentes daquelas adotadas por Bolsonaro. “Vejo com reserva essa flexibilização, principalmente de eventos de massa”.

Ele ainda responde às críticas à sua gestão e condena o discurso negacionista e as notícias falsas. “As fake news são um inimigo desnecessário, que só somam problemas a uma situação que já é difícil”, afirma. “Estamos vivendo a maior pandemia de todos os tempos. Vamos deixar de bobagem e vamos vacinar.”

Leia abaixo alguns trechos da entrevista:

– A OMS recomendou que a eventual dose de reforço da vacina seja aplicada apenas depois que todo mundo tiver recebido as duas doses. Alguns países ricos, no entanto, já estão aplicando dose de reforço. Como vê essa situação? Essa dose de reforço é realmente necessária? Ou apenas para algumas vacinas?O tema, no momento, não está definido, mas existem estudos em andamento para aferir a necessidade da dose de reforço. A questão toda, e isso está muito claro desde o início da pandemia, é que não há parametrização com eventos passados. É um cenário totalmente novo, que demanda constantes ajustes e reajustes. A toda hora, a própria pesquisa científica tem de se repensar. Ainda é cedo para dizer se vamos ter, ou se não vamos ter de maneira alguma. A OMS (Organização Mundial da Saúde), com essa recomendação, fez o papel dela, que é defender a maior amplitude vacinal possível. O mais importante é que o cidadão que acompanha as notícias tenha a tranquilidade de entender que, diferentemente de outras situações, as verdades podem sofrer modificações em um espaço muito curto de tempo. Não pode haver ansiedade. Tudo o que envolve a pandemia é um processo dinâmico e pode mudar. Pode existir a necessidade de terceira dose? Pode. Para qual vacina? Não sabemos. Mas os estudos estão encomendados, em breve começaremos a ter respostas. Estamos diante de um evento novo, um agente patogênico que não tinha ainda se manifestado. Estamos ajustando a música conforme a toada.

– Se, como o senhor apontou, temos um dinamismo inédito das pesquisas científicas, com resultados sendo revistos o tempo todo, temos também uma enxurrada de fake news. Como fazer o público entender a diferença?É uma questão difícil. O advento da internet e das mídias sociais é muito positivo, mas permite a quem quer que seja emitir conceitos e produzir confusão no sistema. São os dois lados da mesma moeda. A Anvisa possui, através de seu portal, que ainda é pesado, não muito amigável para o leigo, a preocupação de ter janelas de informação ao cidadão não iniciado no assunto regulatório. Nosso painel de vacinas é atualizado todos os dias. É uma maneira que a gente tem. A Anvisa não tem dotação orçamentária para campanhas nacionais, que é atribuição do ministério. Mas tentamos fazer a nossa parte no portal. A Anvisa é a primeira colocada no ranking da transparência e do combate às fake news entre os órgãos de Estado e governo. E quando a imprensa nos procura, tentamos sempre esclarecer a questão das fake news, que são um inimigo desnecessário, que só soma um problema a uma situação que já é difícil.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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