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Mundo Variante ômicron faz casos dispararem no Sul da África, mas gravidade ainda permanece baixa

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Levantamento do Instituto Todos pela Saúde mostra aumento no período do Natal. (Foto: EBC)

Países como África do Sul, Botsuana e Lesoto estão no centro dos holofotes globais por causa da descoberta da variante ômicron da covid-19, apesar de a disseminação da nova cepa ainda ser muito incipiente e o número de casos, relativamente pequeno para que se tirem maiores conclusões.

Mas os primeiros indícios do potencial comportamento da recém-descoberta variante vêm da África do Sul, o primeiro a identificá-la.

Até o momento, a proporção de pessoas diagnosticadas com covid-19 que foram internadas na África do Sul nas últimas duas semanas é similar à de surtos provocados por outras cepas, disse Waasila Jassat, especialista de saúde pública no Instituto Nacional para Doenças Comunicáveis sul-africano, em uma entrevista coletiva. Nenhum país, no continente ou fora, confirmou até o momento mortes causadas pela ômicron.

Presta-se mais atenção na África do Sul porque foi lá que se detectou o primeiro caso da doença e é lá que há mais diagnósticos confirmados — é também a nação com melhor infraestrutura da região, tendo assim mais recursos para fazer um controle do quadro epidemiológico e sequenciamento genômico do vírus.

Na última segunda-feira (29), uma das principais autoridades sanitárias do país disse que o número de novos diagnósticos diários pode triplicar até o fim da semana, ultrapassando 10 mil.

Epicentro entre os jovens

A média móvel de 14 dias das pessoas internadas diariamente na província de Gauteng, epicentro da crise sanitária sul-africana — 84% dos novos casos estão concentrados lá — era de 49 na última sexta-feira (26). Na quinzena anterior, o número havia ficado em 18.

As mortes não crescem na mesma proporção, mantendo-se praticamente estáveis. Hoje, em média 0,53 pessoa por milhão morre diariamente devido à covid-19 na África do Sul. No Brasil, para fins comparativos, a taxa é de 1,08. Hoje, até mesmo a incidência de casos por lá é inferior: 42 em cada milhão de brasileiros são diagnosticados por dia com o vírus, contra 30 para cada milhão de sul-africanos.

A tendência de crescimento, ainda assim, é preocupante: em 11 de novembro, o país registrava em média 300 infecções diárias, contra 3,2 mil vistas no domingo. O epicentro é em Gauteng — mais especificamente, entre pessoas na casa dos 20 e 30 anos. A faixa etária, por si só, é mais um complicante para entender o impacto da ômicron.

Com menos comorbidades, os jovens são naturalmente menos vulneráveis a quadros graves da doença. São também os menos vacinados, cobertura ainda mais defasada levando em conta que pouco menos de 25% da população sul-africana está completamente inoculada.

Jassat, do Instituto Nacional para Doenças Comunicáveis, disse que cerca de 87% dos internados na província não estão completamente vacinados, e que há um número significativamente alto de crianças pequenas precisando de hospitalização.

Entre 14 e 28 de novembro, 62 crianças com menos de 2 anos foram internadas, 20 a mais que entre aqueles na faixa etária dos 30 aos 32 anos. Ele alertou, contudo, que ainda não é possível saber se isso é relacionado à nova forma do vírus.

Diferentemente de outros países africanos, onde há um problema real com a escassez de doses, a África do Sul encontra problema para driblar a desconfiança popular na vacinação.

O presidente Cyril Ramaphosa disse no fim de semana que avalia tornar a inoculação obrigatória para que a população possa usar transportes públicos e ingressar em prédios oficiais, por exemplo, mas até agora nada foi anunciado. O presidente também descartou, neste momento, impor uma quarentena nacional.

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