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Mundo Farmacêuticas iniciam testes para avaliar vacinas contra a variante ômicron

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Mutação retoma capacidade de afetar as células do pulmão, o que ocorria pouco na infecção pela variante original. (Foto: Reprodução)

A variante ômicron (B.1.1.529), identificada pela primeira vez na África do Sul, gera preocupação de autoridades de saúde do mundo todo pelo risco de ser mais transmissível e pelo medo de que ela possa escapar da proteção conferida pelas vacinas. Diante disso, as principais desenvolvedoras de vacinas já iniciaram testes para avaliar a eficácia de seus imunizantes contra a variante e, até mesmo, a desenvolver versões destinadas à nova cepa.

O CEO da Pfizer, Albert Bourla, disse em entrevista para a rede americana CNBC que a companhia já começou a trabalhar em uma nova versão da vacina, direcionada especificamente para a variante ômicron. “Fizemos nosso primeiro modelo de DNA, que é a primeira etapa do desenvolvimento de uma nova vacina”, contou. A expectativa é que o imunizante atualizado esteja pronto em cerca de 95 dias.

Apesar da iniciativa, Bourla ressaltou que confia na proteção da vacina atual, indicando que a farmacêutica usou “uma boa dosagem desde o início”. Essa não é a primeira vez que a Pfizer investe em uma nova versão de sua vacina antes e saber se ela será necessária. A empresa criou, em menos de cem duas, novas versões de sua vacina contra as variantes beta e delta.

Ambas acabaram não sendo usadas, já que a vacina original ainda conferiu alto grau de proteção contra elas. A Jonhson & Johnson também anunciou nesta segunda que está testando soro sanguíneo de voluntários dos testes clínicos da vacina para avaliar atividade neutralizante dos anticorpos contra a variante e também está buscando uma vacina específica contra a ômicron. Na sexta-feira (26), o laboratório Moderna já havia anunciado a intenção de desenvolver uma dose de reforço específica para a ômicron.

Mutações

Desde a última quinta-feira (25), quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a ômicron como uma variante de preocupação, a nova cepa foi identificada em pelo menos nove países. Até o momento, nenhuma morte relacionada à variante foi relatada, mas ainda são necessárias pesquisas para avaliar o potencial da nova variante de escapar da proteção contra a imunidade induzida por vacinas e infecções anteriores.

A preocupação sobre a eficácia das vacinas não é infundada. A OMS disse que o alto número de mutações pode fazer variante ter vantagem sobre as vacinas.

De acordo com o médico geneticista Salmo Raskin, diretor do Laboratório Genetika, de Curitiba, a ômicron é a cepa que mais acumulou mutações até agora. São 50 no total e a maior parte delas está na proteína spike, que é alvo das vacinas contra a covid-19 disponíveis atualmente, já que essa é a parte usada pelo vírus para invadir as células.

Segundo Raskin, até o momento, a única variante de preocupação que se mostrou com capacidade de escapar da proteção conferida pelas vacinas foi a beta, que também surgiu na África do Sul.

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