Terça-feira, 09 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 15 de março de 2024
Nos sete anos desde que o TikTok nasceu como um aplicativo de nicho de “dublagem” de música para adolescentes chineses, a plataforma reformulou o cenário das redes sociais e forçou os gigantes da tecnologia dos EUA a enfrentar um rival estrangeiro.
A plataforma de vídeos curtos acumulou um poder econômico surpreendente, com mais de um bilhão de usuários e uma receita que deve superar a do YouTube, de quase US$ 25 bilhões até 2025.
Os críticos argumentam que a empresa controladora chinesa do TikTok, a ByteDance, é uma ameaça à segurança nacional americana, permitindo potencialmente que ele compartilhe dados sobre seus usuários americanos ou direcione seus algoritmos a pedido de Pequim.
Essa preocupação se transformou em uma série de ações políticas: um ex-presidente tentou banir a plataforma, e mais de duas dúzias de estados do país barraram o aplicativo de dispositivos de propriedade do governo – um pânico que alguns descrevem como uma ameaça à liberdade de expressão nos EUA. Na quarta (13), a câmara dos deputados do país aprovou um projeto de lei para banir o app.
O debate sobre o TikTok é um substituto para uma série de descontentamentos políticos. Assim, veja abaixo como o TikTok passou de uma sensação adolescente, cheia de “bobeiras”, para o bicho-papão de Washington.
– Setembro de 2016: Na China, a ByteDance lança o aplicativo de mídia social de sincronização labial Douyin, o antecessor do que se tornaria o TikTok.
– Setembro de 2017: A ByteDance transforma o Douyin em TikTok, visando os jovens de todo o mundo.
– Novembro de 2017: A ByteDance adquire o Musical.ly, um popular aplicativo de sincronização labial já com público estabelecido, que inspirou a criação do Douyin.
– Julho de 2018: A Indonésia proíbe temporariamente o TikTok, alegando preocupações com “pornografia, conteúdo inapropriado e blasfêmia”. A proibição foi suspensa menos de uma semana depois, após o aplicativo concordar em censurar parte de seu conteúdo.
– Agosto de 2018: O Musical.ly, com seus 100 milhões de usuários ativos, e o TikTok se fundem em um único aplicativo de vídeo, desencadeando um enorme crescimento.
– Outubro de 2018: Os downloads mensais mundiais do TikTok ultrapassam o Facebook e o Instagram pela primeira vez, de acordo com dados da Sensor Tower, enfatizando o poder do aplicativo em um setor há muito dominado por empresas americanas.
– Fevereiro de 2019: O TikTok ultrapassa a marca de 1 bilhão de downloads em todo o mundo na App Store e no Google Play.
A Comissão Federal de Comércio (FTC) multa o Musical.ly, agora conhecido como TikTok, em US$ 5,7 milhões por acusações de que ele coletou dados de crianças, violando a lei federal. A FTC alega que a empresa não notificou os pais sobre a coleta de informações pessoais de usuários com menos de 13 anos. A empresa recebeu milhares de reclamações de pais de jovens usuários do Musical.ly.
– Novembro de 2019: O governo dos EUA investiga o TikTok por questões de segurança nacional, analisando o acordo de 2017 no qual a ByteDance, sediada em Pequim, comprou o Musical.ly por até US$ 1 bilhão.
– Março de 2022: A Casa Branca se comunica por meio de influenciadores do TikTok sobre a guerra na Ucrânia, destacando o poder crescente do aplicativo como uma plataforma de notícias e uma ferramenta fundamental nos esforços do governo Biden para alcançar os jovens.
– Outubro de 2022: Biden se reúne com os criadores do TikTok antes das eleições de meio de mandato.
– Novembro de 2022: O senador Marco Rubio (R-Fla.) e o deputado Mike Gallagher (R-Wis.) pedem a proibição nacional do TikTok em um artigo de opinião do Washington Post, alertando sobre a suposta ameaça do TikTok.
Dakota do Sul proíbe o TikTok de dispositivos estatais, desencadeando uma onda de proibições estaduais.
– Dezembro de 2022: O Senado aprova um projeto de lei para proibir os funcionários federais de usar o TikTok em dispositivos do governo.
A ByteDance, empresa controladora do TikTok, demite quatro funcionários depois que uma investigação interna descobriu que eles haviam acessado dados de dois jornalistas e outros usuários dos EUA enquanto tentavam rastrear um vazamento da empresa.
– Janeiro de 2023: O TikTok se torna o aplicativo mais baixado em 2022, com cerca de 730 milhões de instalações em todo o mundo no ano, em comparação com os 701 milhões do Instagram e os 641 milhões do Facebook.
Em um período frenético de cinco semanas, cerca de duas dúzias de governadores e autoridades estaduais restringem o TikTok em seus estados, aumentando o sentimento político contra o aplicativo.
A Universidade de Wisconsin se junta a várias universidades na proibição do TikTok em dispositivos do sistema. Os alunos rapidamente descobrem brechas, usando os planos de dados de seus telefones em vez do Wi-Fi da escola para acessar o aplicativo de vídeo.
– Fevereiro de 2023: O CEO da TikTok, Shou Zi Chew, lança uma investida agressiva em Washington para provar que o aplicativo de propriedade chinesa não é uma ameaça à segurança nacional. A ofensiva diplomática encerra meses de silêncio, uma mudança de estratégia para o TikTok.
A Casa Branca dá às agências governamentais 30 dias para garantir que não tenham o TikTok em dispositivos federais.
– Março de 2023: O governo Biden promove um plano que exige que os proprietários chineses do TikTok se desfaçam do aplicativo, em uma escalada dos esforços da Casa Branca para tratar de questões de segurança nacional. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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