Segunda-feira, 11 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de fevereiro de 2018
Indicada há mais de um mês para ocupar o Ministério do Trabalho, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) ainda não conseguiu assumir o cargo, mas já coleciona polêmicas. De condenação em ação trabalhista a investigação por suspeita de associação ao tráfico, veja o que pesa contra ela.
Ações trabalhistas
Cristiane foi alvo de duas ações na Justiça do Trabalho. Em uma delas, movida por um ex-motorista, a parlamentar foi condenada a pagar indenização de R$ 60 mil. A decisão foi confirmada na segunda instância. Em outra ação, a deputada fez acordo com seu motorista para assinar a carteira de trabalho dele e pagar uma dívida de R$ 14 mil.
O Globo revelou que o dinheiro usado para pagar as parcelas do acordo trabalhista saía da conta de uma funcionária do gabinete da deputada na Câmara. A dona da conta, Vera Lúcia Gorgulho Chaves de Azevedo, é filiada ao PTB e recebe um salário líquido de R$ 10,8 mil. Também é mãe de Carolina Chaves, que sucedeu Cristiane na Secretaria de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida na gestão Eduardo Paes.
Posse suspensa duas vezes
No início de janeiro, a posse de Cristiane no Ministério do Trabalho foi suspensa pelo juiz Leonardo da Costa Couceiro, da 4ª Vara Federal de Niterói, em resposta a uma ação movida por advogados trabalhistas.
A AGU (Advocacia-Geral da União) recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), que autorizou a posse, mas o grupo Mati (Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes) levou a questão ao STF (Supremo Tribunal Federal), alegando que não cabia ao STJ deliberar sobre o caso. A posse, então, foi novamente suspensa, em caráter liminar, pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.
Vídeo em barco
Em um vídeo que circulou nas redes sociais, no fim de janeiro, Cristiane diz jurar que não achava que “tinha nada para dever” aos dois motoristas que a processaram na Justiça trabalhista. Ao lado de quatro homens sem camisa, num barco, a deputada questionou: “O que pode passar na cabeça das pessoas que entram contra a gente em ações trabalhistas”?
O video gerou mal-estar dentro do PTB. Em nota, a deputada afirmou que “a gravação e a divulgação do vídeo foi uma manifestação espontânea de um amigo, utilizada fora do contexto”.
Um dos homens que aparecem no vídeo, o empresário Flávio Eliziário Gomes Ferreira, de 56 anos, é sócio da FGF Empreendimentos e Incorporação Ltda, empresa que também é alvo de ação trabalhista.
Suspeita de pagamento ao tráfico
A deputada, um ex-cunhado dela, o deputado estadual Marcus Vinícius (PTB), e três assessores, que trabalharam para Cristiane há oito anos, são alvos de uma investigação que apura o envolvimento deles com traficantes do Rio na campanha eleitoral de 2010. O caso foi encaminhado pelo Ministério Público à Procuradoria-Geral da República.
A acusação é de que assessores de Cristiane Brasil, na época vereadora licenciada para comandar uma secretaria municipal, pagaram a traficantes para ter exclusividade de fazer campanha em uma região do Rio. Em 2010, a parlamentar não se candidatou, mas teria apoiado o ex-cunhado Marcus Vinícius à reeleição. Ela se candidatou e se elegeu deputada federal em 2014.
Em nota, a deputada Cristiane Brasil disse que “o inquérito foi aberto baseado em uma denúncia anônima durante a campanha de 2010, ano em que sequer foi candidata”. Ressaltou que não foi ouvida e negou “contato com qualquer criminoso”.
Coação a servidores
Um áudio revelado pela TV Globo mostra que, durante a campanha em que foi eleita deputada federal, em 2014, Cristiane Brasil coagiu funcionários da Secretaria Especial de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida da prefeitura do Rio, da qual era titular, a votarem nela e arrumarem, cada um, outros 30 votos, sob risco de perderem o emprego. O áudio obtido pelo “Fantástico” mostra a cobrança feita pela parlamentar em uma reunião com cerca de 50 pessoas, dentro da secretaria.
“Se amanhã vocês ficarem desempregados, como é que vai ser a vida de vocês? Vai ficar um pouquinho mais complicada, não é? Eu só tenho um jeito de manter o emprego de vocês: me elegendo”, diz a deputada na gravação.
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