Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 21 de abril de 2021
Suspeitas surgiram após a detecção de vários casos de trombose em pessoas vacinadas.
Foto: Reprodução/PfizerA vacina da AstraZeneca recentemente começou a ser associada a um problema incomum de coágulo sanguíneo. Agora, a da Johnson & Johnson (J&J), baseada na mesma tecnologia, é alvo das mesmas suspeitas. O que se sabe até agora sobre a questão?
Não se trata de simples trombose, como a flebite, mas de condições muito atípicas. Em 1° lugar, por sua localização: afetam as veias cerebrais e, em menor medida, o abdômen, afirmou na terça-feira (20) a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) sobre a J&J, após ter feito as mesmas alegações, dias antes, sobre a AstraZeneca.
Essas patologias ocorrem em conjunto com a queda do nível das plaquetas sanguíneas, de forma que, junto com os coágulos, o paciente pode sofrer hemorragias.
“O tratamento desse tipo de coágulo sanguíneo é diferente do que normalmente seria administrado”, alertam as autoridades de saúde dos Estados Unidos, a FDA e o CDC, que suspenderam o uso do imunizante da J&J no país.
Para a EMA, existe uma “possível ligação” entre esses raros problemas sanguíneos e a administração dos medicamentos da AstraZeneca e da J&J. As duas vacinas são “a causa provável” desses episódios tão singulares, estimou um funcionário da FDA, Peter Marks.
O imunizante da J&J está autorizado na União Europeia (UE), sob o nome de Janssen, mas ainda não foi aplicado. O da AstraZeneca é utilizado lá, embora ainda não tenha sido aprovado nos EUA.
A que se deve?
Esses problemas podem estar relacionados à tecnologia de “vetor viral”, usada por ambas as vacinas. Ela se baseia no uso de outro vírus como suporte, que é modificado para transportar no organismo informações genéticas capazes de combater a covid.
As duas utilizam um adenovírus, um tipo de vírus muito comum. O da AstraZeneca é um adenovírus de chimpanzé e da J&J é humano.
“Tudo indica que é por causa do vetor do adenovírus”, explicou Mathieu Molimard, um especialista em farmacologia francês, no Twitter, lembrando que esse tipo de problema não ocorre com as vacinas da Pfizer-BioNTech e Moderna, que usam a técnica do RNA mensageiro.
Por enquanto, não se sabe se essas patologias também ocorrem com outra vacina que emprega um adenovírus, a russa Sputnik. Ela está liberada em cerca de 60 países, mas não na UE, ou nos EUA.
Quais são os mecanismos?
Vários elementos apontam para uma reação imunológica excessiva causada por essas vacinas, uma “explicação plausível”, segundo a EMA.
Em um estudo publicado on-line, em 28 de março, pesquisadores alemães e austríacos estabeleceram uma comparação com outro mecanismo já conhecido. O fenômeno “se assemelha clinicamente à trombocitopenia induzida por heparina (HIT)”, disse a equipe de cientistas liderada por Andreas Greinacher, da Universidade de Greifswald.
A HIT é uma reação imunológica anormal, grave e incomum, desencadeada em alguns pacientes por um medicamento anticoagulante, a heparina. É uma “explicação plausível”, avaliou a EMA em 7 de abril, pedindo a realização de mais estudos.
No caso da J&J, foram registrados oito casos atípicos de trombose, entre eles um óbito, todos nos EUA, entre mais de sete milhões de doses administradas, segundo dados examinados pela EMA.
Com a vacina da AstraZeneca, foram contabilizados 287 casos no mundo, 142 deles no Espaço Econômico Europeu (EEE), UE, Islândia, Noruega, Liechtenstein, afirmou o regulador europeu nesta terça (20).
O órgão informou 222 casos registrados até 4 de abril no EEE e no Reino Unido, entre 34 milhões de injeções, com um balanço de 18 mortes, até 22 de março. Mas, como acontece com todos os medicamentos, a chave está em ponderar os riscos e benefícios.
Fatores de risco
Mulheres jovens parecem ser especialmente afetadas. Os oito casos detectados com a vacina da J&J correspondem a pessoas com menos de 60 anos e principalmente mulheres. Na AstraZeneca, a maioria dos casos ocorreu em mulheres com menos de 60 anos, de acordo com a EMA.
No entanto, é muito cedo para tirar conclusões. Por enquanto, “não identificamos nenhum fator de risco específico”, disse o regulador sobre os dois imunizantes.
Apesar disso, vários países decidiram parar de usar a vacina da AstraZeneca abaixo de uma certa idade: 30 anos no Reino Unido, 55 na França, Bélgica e Canadá, 60 na Alemanha e Holanda, e 65 na Suécia e Finlândia.
Essas medidas se baseiam no equilíbrio entre riscos e benefícios: quanto mais velho se é, maior é a probabilidade de desenvolver uma forma grave de covid e maiores serão os benefícios de se vacinar com a AstraZeneca.
As autoridades do Reino Unido divulgaram um gráfico que mostra que a covid representa um risco para a saúde seis vezes maior do que a vacina, nas idades de 20 a 29 anos. Já na faixa etária de 60 a 69, o risco é 600 vezes mais significativo.
A Noruega e a Dinamarca optaram por interromper completamente o uso da vacina da AstraZeneca. As informações são do site IstoÉ.
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