Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de abril de 2021
A expectativa de acelerar a vacinação no País sofreu novo baque com a negativa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a um pedido feito por governadores para importar o imunizante russo Sputnik V. Embora o Ministério da Saúde já tivesse retirado essa vacina do cronograma, gestores apostavam nela para impulsionar a vacinação em seus Estados.
Agora, a expectativa é que somente após o segundo semestre o País consiga aumentar o ritmo da imunização. De acordo com os gestores, o erro de origem foi do governo federal, que demorou a negociar com farmacêuticas e levou o Brasil para o fim da fila.
A expectativa dos gestores é que haja complementação dos dados por parte das autoridades russas até que a Anvisa analise as solicitações restantes. Há outros seis pedidos feitos por quatro Estados e dois municípios com o prazo corrente na Anvisa.
Segundo a agência, as solicitações foram desmembradas de modo que, caso haja o fornecimento das informações por parte dos russos, o processo possa ser célere. Atualmente, o pedido cujo prazo está mais próximo é o que veio do Pará, com prazo até 5 de maio. Há ainda solicitações de Alagoas, Tocantins e Amapá; e dos municípios de Maricá (RJ) e Niterói (RJ).
Governadores do Nordeste têm contratos que, somados, preveem cerca de 37 milhões de doses da vacina russa. O acordo com o ministério era para que esses imunizantes fossem incluídos no Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Líder do Consórcio Nordeste nas negociações para aquisição da Sputnik V, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou que as autoridades russas apresentarão à Anvisa respostas e documentos a cada um dos pontos críticos apresentados, mas não especificou quando:
“Confirmaram apresentação da documentação, que segue regras internacionais. Lembraram que a vacina está aprovada em 62 países e em uso para milhões de pessoas, com raros e leves efeitos colaterais. Não há registro de efeitos graves, e há eficácia muito elevada na imunização.”
Os diretores da Anvisa concluíram que não há informações que comprovem satisfatoriamente a eficácia e a segurança da vacina para que ela possa ser liberada no País. Os técnicos apontaram potenciais riscos à saúde na análise do imunizante. O Fundo Russo divulgou uma nota contestando a decisão.
Decisão “política”
A autoridade russa afirma que negativa dada pela agência foi “política” e contesta os apontamentos da área técnica da agência, citando análises feitas na Hungria, no México e na Argentina para sustentar que a vacina é eficaz e segura. Além dos pedidos de importação, há na Anvisa uma solicitação emergencial para uso da vacina russa feita pela União Química. O prazo dessa solicitação, porém, está suspenso devido à ausência de documentação.
“É uma frustração na expectativa que a gente tinha. Infelizmente, a previsão de vacinar em número considerável só no segundo semestre parece ser real. Por ora, como está, só vamos acelerar o ritmo no segundo semestre”, afirmou Carlos Eduardo Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), criticando a falta de habilidade do Ministério da Saúde.
“Se a União tem interesse, devia fazer essa interlocução com a Rússia (para obter dados da vacina), até isso quem tentou fazer foram os Estados. Além disso, o governo rejeitou vacinas quando estavam disponíveis. Agora, quando vamos tentar correr atrás do prejuízo, já tem um monte de gente na frente.”
O presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Willames Freire, também criticou o Ministério da Saúde:
“A gente sabe que o processo da Anvisa é muito rigoroso e técnico e respeitamos integralmente. O objetivo da Anvisa é única e exclusivamente proteger a população. Nós chegamos atrasados no mercado de vacinas, e isso é notório. A pauta que estamos adquirindo é muito inferior à nossa necessidade. É claro que a Sputnik entrando ia dar aos municípios a chance de ter um quantitativo maior, mas é necessário que eles apresentem a documentação”, argumentou Freire.
“Acho que a vacinação vai continuar lenta, até porque temos observado uma diminuição no repasse do IFA (ingrediente farmacêutico ativo) da China e da Índia para o Brasil. Se não tivermos IFA, não teremos produção de vacinas. A nossa expectativa é que com a entrada da Pfizer no PNI a gente consiga equilibrar a pauta divulgada pelo ministério e não tenhamos queda tão grande na quantidade de doses projetadas.”
Redução de doses
Em mais uma frustração para o calendário de vacinação contra a covid-19, o governo federal reduziu de forma significativa a previsão de distribuição de imunizantes em maio. O número de doses esperadas caiu de 46,9 milhões para 32,4 milhões.
O cronograma mais atualizado já havia excluído a Sputnik V, mas a pasta prevê o recebimento de 1 milhão de doses da Pfizer em abril e 2.515.330 doses em maio, e as demais a partir de junho.
Os comentários estão desativados.