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Mundo Vitória de Marine Le Pen nas eleições francesas é “extremamente perigosa e possível”, avalia cientista político

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Para Miguel Lago, candidata da extrema direita vem aparentando imagem mais 'moderada' em campanha, o que pode prejudicar reeleição do líder francês. (Foto: Reprodução)

O atual presidente da França, Emmanuel Macron, e a principal rival, Marine Le Pen, vão disputar o segundo turno das eleições 2022, marcado para 24 de abril. O resultado de domingo (10) repetiu a disputa de quatro anos atrás, quando os mesmos nomes seguiram para a disputa final pelo cargo mais alto no país.

De acordo com informações do Le Monde, o Ministério do Interior divulgou os seguintes resultados: Emmanuel Macron ficou em primeiro lugar, com 27,41%. Marine Le Pen obteve 24,03% dos votos, bem à frente de Jean-Luc Mélenchon, com 21,57%.

Ele já reconheceu a derrota e pediu que os eleitores franceses não deem “um voto sequer” a mais para Le Pen no segundo turno. A maioria dos candidatos derrotados declarou apoio a Macron na disputa, com a exceção de Éric Zemmour, também de extrema-direita, que aparece com 6,94% nessa apuração parcial.

As eleições foram, de fato, marcadas por uma alta abstenção, como já era esperado. Ao contrário do Brasil, na França, não é obrigatória a votação de todos os cidadãos maiores de idade. Aproximadamente 65% dos franceses inscritos para votarem haviam comparecido, um índice menor do que o das últimas eleições, em 2017 — que foi de 69,4%.

Se vencer, Macron se tornará o primeiro presidente francês a conseguir ser reeleito em 20 anos. No entanto, a impopularidade do governo entre alguns grupos e o aumento da inflação ameaçam sua reeleição.

Análise

A semelhança deste segundo turno com o cenário de 2017 fica só nos candidatos, uma vez que os discursos atuais são diferentes, o que faz com que a vitória de Le Pen seja “extremamente perigosa e possível”, avalia o cientista político Miguel Lago, que leciona na Universidade Columbia, em Nova York, e na Sciences Po, em Paris.

“Temo que o tom da campanha da Le Pen tende a ser mais forte do que o de Macron, que já é uma repetição de 2002 e 2017”, explica o cientista político. “O fato é que Marine está parecendo mais moderada e as pessoas a temem menos.”

“Le Pen é uma candidata diferente das outras extremas direitas que a gente vê no mundo. Ela é mais moderada do que um Trump, certamente um Victor Orban, mais do que Salvini, na Itália, e muito mais do que Jair Messias Bolsonaro. Zemmour seria muito mais o exemplo da extrema direita internacional na França. Ela [Marine Le Pen] é tão nacionalista que acho que só se preocupa com a França, de fato”, diz Miguel Lago.

Se vencer o segundo turno, Marine Le Pen será um “fenômeno mais francês do que internacional”, avalia Miguel.

“No Brasil, a repercussão será menos ruim do que Zemmour. Não vejo Marine Le Pen mexendo um dedo para tentar apoiar uma reeleição de Bolsonaro. Ela vai estar preocupada com a França e vai lidar com Lula, se for eleito.”

Para barrar a extrema direita, o cientista político avalia que Macron vai precisar do apoio explícito do candidato socialista Mélenchon. Lago lista ainda as implicações para geopolítica da Europa em tempos de guerra na Ucrânia e as possíveis consequências para o Brasil.

“Certamente será catastrófico ter a extrema direita, especialmente neste contexto de guerra.”

 

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