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Porto Alegre Viúva de cliente morto por seguranças do supermercado Carrefour fecha acordo de indenização

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Crime foi cometido em novembro em filial do supermercado na Zona Norte. (Foto: Reprodução)

Em um procedimento mediado pela Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, a viúva de João Alberto Freitas, morto em novembro por seguranças de um supermercado Carrefour em Porto Alegre, fechou acordo de indenização. O valor não foi informado – um mês antes, ela havia recusado R$ 1 milhão (seus advogados pleiteavam em torno de R$ 10 milhões), por danos morais e materiais.

O órgão ingressou logo após o incidente com uma ação coletiva contra a rede Carrefour e o Grupo Vector Segurança Patrimonial pela morte da vítima. Nos meses seguintes, passou a atuar nas tratativas entre a rede e os familiares, no âmbito de um processo por danos individuais que já resultou em indenizações aos quatro filhos, a enteada, a neta, a irmã e o pai da vítima.

Na avaliação da Defensoria Pública, o desfecho das tratativas foi adequado a ambas as partes. A coordenadora da Câmara de Conciliação do órgão, Ana Carolina Zacher ponderou no site da instituição:

“Pensar em uma ação judicial seria muito insatisfatório, principalmente aos familiares de João Alberto, pelo desgaste emocional de anos que essa demanda geraria, pela exposição da intimidade e outras consequências indesejadas. O Carrefour participou das negociações de forma muito cordial e cooperativa”.

Relembre o caso

João Alberto Silveira Freitas, 42 anos, foi agredido e asfixiado na noite de 19 de novembro de 2020 por seguranças da filial do supermercado na Zona Norte de Porto Alegre, após um desentendimento com eles no interior do estabelecimento. O incidente foi filmado e teve repercussão internacional, inclusive pelo fato de o cliente ser negro.

Em seguida, o Ministério Público (MP) denunciou seis pessoas por homicídio triplamente qualificado com dolo eventual, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

São eles os seguranças Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, a gerente Adriana Alves Dutra e os também funcionários do estabelecimento Kleiton Silva Santos, Paulo Francisco da Silva e Rafael Rezende. Os três primeiros estão presos (a mulher em regime domiciliar).

As testemunhas arroladas no processo serão ouvidas pela 2ª Vara do Júri entre agosto e dezembro. A ação penal é presidida pela juíza Cristiane Zardo, que agendou as oitivas de 33 testemunhas, de forma on-line. Estão previstos os depoimentos de 48 pessoas, alem dos réus – esses em audiências com datas ainda não definidas.

Giovane e Magno foram filmados agredindo e asfixiando o cliente já imobilizado no chão na área externa do estabelecimento, minutos depois de um desentendimento no corredor próximo aos caixas. A dupla acabou presa em flagrante no local logo após uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatar o óbito de Freitas.

Na mesma noite, a Justiça do Rio Grande do Sul converteu a custódia em prisão preventiva. Posteriormente, o MP também denunciou os outros quatro funcionários por envolvimento no caso.

Em vídeos de testemunhas, Adriana aparece filmando as agressões e ameaçando pessoas que usavam seus celulares para registrar o incidente. Francisco impede a esposa da vítima de se aproximar, enquanto Santos e Rezende ajudam os seguranças a imobilizarem o autônomo, que chega a avisar que não conseguia respirar.

(Marcello Campos)

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