Domingo, 21 de junho de 2026
Por Rogério Pons da Silva | 21 de junho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Já foi abordado para participar de alguma pesquisa de intenção de voto ?
Nunca fui e também não conheço alguém que tenha sido.
As pesquisas surgem “do nada”, de repente me parecem distantes dos cidadãos comuns, entretanto, todos nós já lemos, vimos e ouvimos inúmeras vezes resultados de pesquisas que são amplamente divulgadas.
A questão é:
Revelar antecipadamente a vontade de outros serve basicamente para quê?
Ou melhor, qual o objetivo dessas pesquisas?
Vamos pensar …
A divulgação de resultados de pesquisas sobre a intenção de voto cumpre qual papel na sociedade ?
( ) Informar a situação do momento dos candidatos;
( ) São especulações que antecipam tendências e induzem mudanças na intenção de voto de eleitores;
Acompanhe-me no raciocínio:
A primeira opção escancara que prever o futuro é um antigo sonho da humanidade na tentativa de “adivinhar” o que irá acontecer no amanhã.
Querer saber o sexo do bebê antes de nascer, e a clássica:
O que você vai ser quando crescer ?
Meros exercícios de futurologia que é parte da nossa cultura.
Lembram do sucesso que faziam os horóscopos? São curiosidades que não representam a expressão da verdade.
A segunda opção demonstra que as pesquisas eleitorais podem mesmo representar a vontade expressa do eleitor.
Ou seja, mesmo sem a identificação do eleitor pesquisado, o voto foi revelado e tornado de conhecimento público antes do final do pleito.
O compromisso com o sigilo pode estar em risco e passar a ter um caráter eleitoreiro e indutivo, ameaçando o processo da liberdade de pensamento.
Essa causa, é de todos Independentemente de nossas convicções políticas, a sociedade deve lutar pela total liberdade de escolha de cada um.
O “bombardeio” quase que diário das pesquisas de intenção de votos pode ser muito mais que uma mera informação ou sinalização, mas a indução do eleitor para migrar de sua convicção política para outro candidato com mais chances de ser eleito.
Seja para que o eleitor não vote em quem está mal nas pesquisas e assim não “perder” seu voto e ainda pior, escolher outra opção para inviabilizar o candidato de sua maior rejeição – o famigerado voto útil.
Assim influenciados, milhares buscam o menos ruim ao invés do seu ideal.
Apesar de ser considerado liberdade de expressão, o “argumento” das pesquisas pode ter um viés antidemocrático, até as pedras das ruas sabem que resultados de pesquisas influenciam os eleitores, principalmente os indecisos.
Pesquisas de partidos para avaliação e uso interno, tudo certo é válido.
Mas como ferramenta de convencimento com a divulgação e repetição massiva nas redes sociais e na imprensa tradicional pode se constituir em argumento suficiente para mudar posições políticas de muitos eleitores, isso é fato.
O processo eleitoral não pode se constituir em jogos de adivinhações sobre qual candidato irá vencer o pleito, nem em manipulação da vontade dos eleitores, mas sim na manifestação da convicção individual do cidadão, sem influência de terceiros.
Avalie.
Será que “a pesquisa da intenção de outros” é mais importante que a minha própria vontade?
Lembre-se que as pesquisas custam milhões de reais e são patrocinadas e divulgadas somente com o propósito de informar quais candidatos lideram a vontade popular? Pense.
Infelizmente, muitos eleitores conhecem mais detalhes dos resultados das pesquisas de intenção de votos do que dos projetos dos candidatos.
Leve a sério o seu direito de escolher seus representantes, faça isso considerando suas ideias e convicções políticas.
Lembra o que diziam nossas mães quando queríamos fazer algo tolo, para copiar nossos colegas ?
– Você não é todo mundo!
Então, em se tratando do processo eleitoral, acredite em você mesmo.
PESQUISE-SE !
Rogério Pons da Silva
Jornalista e Empresário
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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