Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de setembro de 2017
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Sabemos que pagamos muitos impostos. Sabemos que somos diariamente explorados e recebemos pouquíssimo em troca do esforço que fazemos como cidadãos e pagadores de impostos. Mas raramente nos perguntamos para onde está indo tanto dinheiro. Uma parte considerável vai para o cidadão brasileiro ser informado por meio dos canais de comunicação oferecidos pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Essa empresa, controlada pelo Estado, é responsável pela gestão e produção de conteúdo de diversos canais de disseminação de informação, sendo alguns deles Voz do Brasil, TV Brasil e TVE. Retirando a obrigatoriedade da transmissão da Voz do Brasil – que é um absurdo e um atraso –, os demais canais não têm audiência “garantida”, tornando a escolha de seus programas suscetível somente às preferências do telespectador.
Como qualquer outro meio de comunicação, sem audiência seu negócio não gera lucro, e sem este, o canal deveria encerrar suas operações. Porém, essa realidade não é verdadeira nas empresas do grupo EBC. A TV Brasil é um exemplo claro disso. Com sua audiência, medida pelo IBOPE, beirando a zero ponto (em torno de 0,15 em 2016), é comprovado que quase ninguém assiste aos programas do canal desde sua criação, em dezembro de 2007. Sem audiência, logo sem receita, quem está sustentando a sua ineficiência e falta de qualidade somos nós, pagadores de impostos. Recebendo quase meio bilhão de reais por ano, o grupo EBC nada mais é do que um cabide de empregos. Uma estatal ineficiente – como quase todas – sustentada pelo povo sem motivo algum. O que talvez mais impressione ao olhar seus resultados seja sua capacidade de receber esse aporte abissal do tesouro brasileiro e mesmo assim fechar o ano de 2016 com prejuízo de mais de 11 milhões de reais. Segundo o Portal de Transparência, que informa esses resultados e demais justificativas da empresa para seus acionistas, o maior custo da empresa é o de pessoal. Este representou mais de quatro vezes o valor da receita do ano de 2016, beirando os 300 milhões de reais. Sendo assim, pergunto para você, leitor: em uma empresa regulada pelo mercado, será que uma folha salarial que representa quase 200 milhões continuaria a crescer ano a ano mesmo com a empresa tendo prejuízo em condições normais de mercado? Está certo uma empresa com esses resultados continuar extraindo seu dinheiro e ser sustentada por você?
A Empresa Brasileira de Comunicação é apensas uma das diversas empresas estatais brasileiras que apresentam resultados dessa magnitude. Estamos falando de empresas que têm alto custo operacional, receita baixa e que sustentam uma folha salarial não condizente com sua entrega, servindo assim apenas como cabides de emprego. No caso somente da EBC, são mais de 500 milhões dos cofres públicos (bolso da população) sendo literalmente transferidos para gerar conteúdo de péssima qualidade para uma audiência inferior a 20 mil pessoas e ainda conseguir um resultado deficitário ano após ano. Como é possível sustentarmos uma empresa dessas? Como é possível um suposto aumento de impostos ser estudado em um Estado tão paquidérmico como o nosso? Precisamos de menos Estado e mais liberdade já! O papel do Estado precisa ser limitado a saúde, educação e segurança!
Rodrigo Leke Paim é publicitário e associado do IEE.
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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