Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

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Brasil “Você quer o telefone do presidente do Banco Central?”, rebateu Bolsonaro ao ser perguntado por um jornalista sobre o dólar cotado acima de 4 reais

O bom humor externo após dados melhores da China foi responsável pela baixa. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro rebateu com uma pergunta quando questionado sobre a cotação do dólar, que fechou  em R$ 4,2055 nesta segunda, o maior valor nominal (sem contar a inflação) da história do Plano Real. “Quer o telefone do Roberto Campos?”, questionou ao ser abordado por jornalistas na entrada do Palácio da Alvorada, residência oficial. Roberto Campos Neto é presidente do BC (Banco Central).

No Brasil, o regime cambial é o chamado flutuante, com o valor da moeda subindo ou caindo de acordo com as condições de mercado. Em 1994, no início do Plano Real, o regime era fixo, ou seja, com um valor estipulado pelo Banco Central.

Em meio a uma crise cambial e com as reservas em dólares do Brasil esvaziadas, em janeiro de 1999 o BC emitiu um comunicado: “a partir de hoje, o Banco Central deixará que o mercado interbancário defina a taxa de câmbio”.

Na prática, isso era uma permissão para que os bancos comprem e vendam dólares entre si, sem o intermédio ou intervenção do BC. O valor do dólar em relação ao real deixou de ser a principal forma de controle inflacionário e seu valor passou a oscilar de acordo com a oferta e a demanda do mercado.

O BC também informou o seguinte: “o Banco Central poderá intervir nos mercados, ocasionalmente e de forma limitada, com o objetivo de conter movimentos desordenados das taxas de câmbio”. Na prática, mesmo com câmbio flutuante, o BC pode intervir no mercado caso do valor do dólar em relação ao real chegue a um patamar que, por algum motivo, seja considerado muito alto ou muito baixo.

Para interferir nesse mercado, o BC tem três tipos de instrumento: pode atuar com os contratos de “swaps cambiais”, operação que equivale à uma venda de moeda no mercado futuro, com os leilões de linha (com compromisso de volta dos dólares para o BC) e com a venda direta de dólares do mercado.

Cautela

Qualquer decisão sobre a taxa Selic – juros básicos da economia – depois deste ano deverá ser tomada com cautela, disse o presidente do BC, Roberto Campos Neto. Em audiência na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, ele disse que a autoridade monetária será mais prudente em 2020.

“O Copom [Comitê de Política Monetária] cortou a Selic para 5%. Deixamos indicado que entendemos que é possível fazer mais um movimento de igual magnitude e entendemos que qualquer movimento adicional tem que ser feito com cautela”, declarou Campos Neto.

Ao reduzir a Selic para 5% ao ano, no menor nível da história, o próprio Copom tinha indicado que os juros básicos sofrerão mais uma redução para 4,5% ao ano na próxima reunião do órgão, em dezembro.

Inflação

Sobre a alta do dólar nas últimas semanas, Campos Neto disse que o Banco Central não mudará a política cambial e só tomará alguma providência caso a desvalorização do real afete a inflação, refletindo-se nos preços. Ele reiterou que o principal instrumento para segurar os preços continua a ser a taxa Selic, não intervenções no câmbio.

“O importante para gente é como o câmbio alimenta o canal de inflação. Eu disse que o importante é ver se esse movimento de câmbio está fazendo que a expectativa de inflação, na frente, seja elevada, porque isso acaba contaminando a curva de expectativa da inflação e, se isso estiver acontecendo, obviamente temos que agir, e me referi aos juros e não ao câmbio”, disse.

Em audiência, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Campos Neto declarou que a inflação está em níveis baixos e estável no curto, médio e longo prazo.

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