Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

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Brasil “Vocês têm que se virar”, diz o ministro da Educação a dirigentes de universidades privadas

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Em entrevista, Weintraub afirmou que instituições têm plantações extensivas de maconha. (Foto: Gabriel Jabur/MEC)

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, defendeu ostensivamente nesta quinta-feira (26) a autorregulação do setor privado. A declaração foi dada em um evento organizado por um sindicato patronal das mantenedoras de ensino superior, onde ele também criticou o uso da palavra educação, a cor vermelha e os salários dos professores das universidades federais.

“O que o governo vai fazer por vocês? Nada. Vocês têm que se virar”, afirmou o ministro ao iniciar sua fala no Fnesp (Fórum Nacional do Ensino Superior), evento organizado pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior).

A fala foi recebida com silêncio na plateia, formada, em grande parte, por diretores e reitores de universidades privadas, além de professores. Pouco antes, o presidente do Semesp, Hermes Ferreira Figueiredo, havia lançado o que chamou de “provocações ao ministro”.

Ele questionou quais seriam as ações do MEC (Ministério da Educação) quanto a uma eventual cobrança de mensalidades em universidades públicas e para o financiamento estudantil após a crise do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). “O Estado é tijolo, é uma invenção nossa, não faz nada por nós. Nós, brasileiros, é que saímos às ruas e fizemos que isso não virasse uma Venezuela”, disse Weintraub.

Ao longo do discurso, o ministro jogou para o próprio setor privado a necessidade de elaboração de uma proposta “robusta” de reformas para implementação da autorregulação do ensino superior particular. Após definir a si mesmo e ao presidente Jair Bolsonaro como liberais, o ministro afirmou aos presentes para aproveitarem essa “janela de oportunidades”. “A oportunidade é gigantesca. Vocês estão diante de um governo liberal”, afirmou.

“Eu estou aqui para resolver rápido. Já passou um ano de governo. Façam autorregulação. O mercado financeiro tem BSM [órgão ligado à Bolsa de Valores de São Paulo e a Bolsa Mercantil de Futuros que supervisiona o funcionamento de ambas]. Se reúnam, vocês têm que se reunir e buscar a solução”, disse.

Em tom de ameaça, no entanto, disse que quem “pisar fora da linha” vai falar com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. “Alguns de vocês já foram pegos”, disse, rindo, em alusão à Operação Lava-Jato da Educação, anunciada para investigar supostas irregularidades em contratos do MEC. Em seguida, no entanto, afirmou que “a maioria é honesta”.

No evento, Weintraub, também disparou críticas ao uso da palavra “educação”, à cor vermelha e ao salário dos professores de universidades federais. Ao falar sobre o que ele interpreta como “destruição” do País nos anos de governo do PT, Weintraub disse que isso aconteceu “porque temos lá no nosso ‘mindset’ um monte de ideias erradas”. “A começar por essa aqui, ó: educação”, afirmou, apontando para o tema do evento, que é “Mudança de mindset: uma nova forma de pensar a educação”.

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