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Chris Cidade Dias Voto feminino: quando essa história começou?

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Direito ao voto foi arduamente conquistado pelas mulheres

Foto: Arquivo nacional
Direito ao voto foi arduamente conquistado pelas mulheres. (Foto: Arquivo Nacional)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Quando se fala que tudo é conquista, não se imagina quando, onde e na voz de quem começou. Neste período em que as eleições tomam conta de todas as rodas de conversa, me ocupei em descobrir como o voto feminino surgiu no Brasil, na voz de quem, em que lugar e de que forma.

Reserve um instante para levantar suas hipóteses. Foi o que fiz e me surpreendi à beça.

Você já ouviu o nome de Celina Guimarães Viana? Eu nunca tinha ouvido. Não sabia nada sobre sua vida, nem que tinha a mesma formação que eu, professora, com princípios parecidos, sendo contrária a castigos físicos entre seus educandos, algo tão comum naquele período, nem que lutou pelo direito de votar, no Rio Grande do Norte, tornando-se a primeira eleitora reconhecida pelo sistema eleitoral brasileiro. Isso tudo na cidade de Mossoró, entre 1920 e 1930.

Resolvi abrir esse leque e me aproximar dessa mulher tão importante para mim e para tantas outras que acreditam na legitimidade do voto feminino.

Nascida em 1890, além de professora, foi esposa e mãe e estimulou o futebol na sua cidade, traduzindo as regras do esporte, que eram encontradas apenas em inglês – uma curiosidade bem bacana. Uma pessoa parecida comigo, com vida simples, querendo contribuir com o coletivo e suas verdades.

Quando foi aprovada, em seu Estado, a lei que permitia o alistamento eleitoral independentemente do sexo, ela se prontificou e fez sua inscrição em 1927. O juiz em exercício autorizou, e ela se tornou a primeira mulher eleitora do nosso País. Lutou para que esse direito fosse estendido a todas as brasileiras. Pelo menos, tentou, enviando um telegrama ao então presidente do Senado.

Conseguiu votar em 1928, junto com outras mulheres, nas eleições municipais do Rio Grande do Norte. E, quando achamos que um direito está garantido, algo acontece para nos mostrar que a luta é eterna.

Nesse mesmo ano, todos os votos das mulheres na eleição para o Senado foram rejeitados por uma comissão, invalidando cada um deles como “inapurável”. Somente em 1932, o direito ao voto feminino foi reconhecido em âmbito nacional.

O movimento de Celina nunca foi isolado, e não esquecemos disso. Desde cedo, aprendemos a cuidar umas das outras, olhar por nós – ao contrário de tantas vozes afirmando que somos inimigas. Ao lado de Celina, estava Júlia Alves Barbosa, também potiguar. Também é preciso destacar os nomes de Bertha Lutz, Leolinda Daltro, Almerinda Gama e tantas outras espalhadas pelo Brasil.

Me ocupei em buscar as sufragistas do meu Estado, Rio Grande do Sul, e encontrei o nome de Natércia da Cunha Silveira. Nascida em Itaqui, em 1905, sendo a primeira advogada do Rio Grande do Sul, lutou pela questão do voto, aliando-se a outras vozes femininas, fundando a Aliança Nacional de Mulheres.

Em 1932, junto com Bertha Lutz, integrou a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto da Constituição de 1934, que incorporou o direito ao voto feminino.

Parece que a relação das duas não era lá essas coisas, mas o que importa é que participaram da luta juntas, foram sufragistas brasileiras, fundamentais para que nós, neste domingo (25), possamos sair de nossas casas, com nossas escolhas independentes e fundamentadas pelas nossas convicções, entrar numa seção eleitoral e, sem a interferência de ninguém, escolher nossos candidatos.

Nesse ato, estarão representadas todas as mulheres que vieram antes, e estaremos garantindo o direito das que chegarão depois.

* Chris Cidade Dias, escritora, autora do romance “A mulher que ouvia os quadros”

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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