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Caminhoneiros negam paralisação. “É jogar gasolina em fogo”, disse um deles sobre a live de Bolsonaro no Facebook

Caminhoneiros estão decepcionados, mas negam greve. (Foto: Tânia do Rêgo/Agência Brasil)

Um dos principais sindicato de caminhoneiros do País anunciou que faria uma carreata de protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL). O protesto do Sinditac-PR (Sindicato dos Transportadores Autônomos do Paraná), que aconteceu neste sábado (30), foi uma resposta ao pronunciamento feito pelo presidente na quinta-feira, onde ele falou diretamente para os caminhoneiros. Uma paralisação, no entanto, é negada. “É jogar gasolina em fogo”, disse um caminhoneiro. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Nas últimas semanas, representantes dos caminhoneiros se reuniram com integrantes do governo para formalizar suas queixas, e eles aguardavam o pronunciamento do presidente.

Na transmissão do Facebook, Bolsonaro falou diretamente aos caminhoneiros sobre a nova política de preços do diesel da Petrobras, o cartão-caminhoneiro e medidas contra o que chamou de indústria da multa. Ele também sinalizou que seriam feitos novos anúncios à categoria, sem dar mais detalhes.

“Tínhamos um problema que o caminhoneiro reclamava, que ele fazia o frete entre Porto Alegre e Fortaleza, entre ida e volta é 10, 12 dias. Ele reclamava que muitas vezes pagava o frete na ida e na volta, em havendo recomposição do preço do diesel, parte, quase todo o seu frete era engolido pelo novo preço do diesel”, disse o presidente.

“O que que o governo federal, através do ministro Bento [Albuquerque], das Minas e Energia, também acertou junto à Petrobras? Que teremos, no máximo daqui a 90 dias, o cartão-caminhoneiro.”

O presidente ainda destacou: “Caminhoneiros, parabéns a vocês. E, com certeza, novas medidas serão adotadas semana que vem.”

O anúncio de Bolsonaro, no entanto, aumentou ainda mais a insatisfação dos caminhoneiros, que reivindicam o cumprimento da tabela de fretes mínimos e um prazo mínimo de 30 dias para reajuste dos preços do diesel.

“À beira de uma greve, o presidente fazer um pronunciamento daqueles…Foi decepcionante”, afirmou Ariovaldo Junior Almeida, do Sindicato dos Caminhoneiros de Ourinhos, interior de São Paulo.

O preço do diesel foi uma das principais fagulhas para a nova onda de insatisfação dos caminhoneiros. Em janeiro, acabou o subsídio negociado ainda no governo Michel Temer, após as paralisações em maio. Segundo Junior, os últimos dois meses foram “insustentáveis”.

“A categoria não tem dinheiro para comer, como vai ter condições para gastar R$ 5 mil para adiantar o óleo diesel [no cartão pré-pago]”, afirmou.

Na última terça-feira (26), a Petrobras anunciou que os reajustes respeitarão um prazo mínimo de 15 dias. Também anunciou a criação do cartão pré-pago para os postos BR.

A estatal disse que o objetivo da nova política busca “conferir aos clientes maior previsibilidade à trajetória de preços”. Questionada pela reportagem se a decisão atendia pedido do governo federal, a assessoria de imprensa da estatal negou que houvesse ingerência política na decisão.

Com a escalada dos preços internacionais do petróleo, o preço do diesel nas refinarias já subiu 18,5% em 2019, na comparação com o último valor de 2018. Nas bombas, a alta é menor, de 2,5%, mas o suficiente para alimentar a insatisfação.

Plínio Dias, presidente do Sinditac, disse à reportagem que a carreata seria uma mobilização para chamar a atenção do governo e que, por enquanto, não há intenção de novas paralisações, como a do ano passado.

“Queremos sentar com o governo e trabalhar em cima das leis que já existem e que não estão sendo cumpridas, como o piso dos fretes e a lei do vale-pedágio. Coisas como o cartão caminhoneiro é pro futuro ainda, e não vai ajudar a diminuir o aumento preço do diesel”, diz.

A lei do vale-pedágio, que prevê isenção de pedágio para transportadores de carga, foi questionada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) no STF (Supremo Tribunal Federal), no ano passado.

Apesar do tom apaziguador adotado pela categoria, o presidente do Sinditac diz que a falta de propostas e prazos concretos de Bolsonaro tem irritado os caminhoneiros, muitos dos quais apoiaram o presidente durante a campanha.

“A fala dele não refrescou nada para a gente, muito pelo contrário. Pessoas que antes não queriam nem parar para fazer carreata agora estão querendo participar. Foi a mesma coisa que jogar gasolina em fogo. Cerca de 90% da categoria acreditou que este seria um governo que cumpriria as leis, mas já se passaram três meses. É muito tempo que estamos esperando por um posicionamento”, diz Plínio.

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