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Cármen Lúcia diz que superação da violência passa por ver o outro como irmão

Presidente do STF participou de lançamento da Campanha da Fraternidade na CNBB. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, afirmou nesta quarta-feira (14) que a superação da violência no país passa por uma mudança na forma de olhar uma pessoa desconhecida. Para ela, em vez de tratar o outro com desconfiança e como inimigo, é preciso considerá-lo como um irmão e aliado.

A ministra participou, pela manhã, do lançamento da Campanha da Fraternidade de 2018, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). A tradicional mobilização da Igreja Católica, que une evangelização e ação social, tem neste ano por tema a “fraternidade e superação da violência”, com o lema “vós sois todos irmãos”, uma citação à frase de Jesus.

Em discurso no evento, Cármen Lúcia disse ainda que o poder Judiciário procura resolver os conflitos na sociedade de forma “racional” para buscar a pacificação.

“Quando o outro é o inimigo e não o parceiro, um aliado, a desconfiança pode marcar o pensamento e isso reverberar num sentimento que pode tomar conta de forma perigosa numa sociedade com marcos civilizatórios de pacificação. Essa pacificação que o Poder Judiciário procura permanentemente, que o juiz brasileiro busca exatamente resolver de forma racional, aplicando o direito na solução de conflitos, mas que precisa se transformar num momento de fraternidade”, disse a ministra.

“E como aplicar a fraternidade quando a delicadeza com o outro, a crença no outro, e a solidariedade com o outro não é a regra? Esta campanha que aqui se inicia neste ano dá conta da imperativa mudança que se impõe, que é crer que o irmão ao lado é um aliado, porque igual em sua condição humana e na idêntica centelha de dignidade que é o centro de cada um de nós”, continuou Cármen Lúcia.

Violência no Rio de Janeiro

Durante o lançamento da campanha, a situação do Rio de Janeiro neste carnaval, assolado por arrastões e assaltos no carnaval, foi mencionada pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), que também esteve no evento.

“Esse carnaval foi marcado lamentavelmente pela violência. Nos deixou lições. Quando as autoridades se omitem, a violência cresce. Arrastões, agressões, balas, facas, entre tantas outras ações que tiram vida de brasileiros e contribuem para aspiral descendente”, disse, em referência à ausência do prefeito Marcelo Crivella (PRB) e do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) na capital fluminense.

O presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, alertou contra o crescimento de “soluções simplistas” para a violência. Disse que a solução não envolve facilitar o acesso a armas pela população, mas investir em justiça social.

“É um grande equívoco achar que superamos a violência recorrendo a mais violência. Por isso insistimos que a atitude deve ser de não violência. Então não podemos favorecer comércio de armas, facilidade para pessoas terem armas. Nós queremos responder ao problema da violência com a justiça social, com fraternidade nos seus diversos níveis”, afirmou.

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