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Brasileira que vive em Barcelona é eleita deputada com tributo à Marielle Franco

A brasileira Maria Dantas conquistou uma cadeira no Parlamento espanhol. (Foto: Divulgação)

Pela primeira vez, uma brasileira é eleita ao Parlamento da Espanha. Trata-se de Maria Dantas que, há 25 anos, vive em Barcelona. Em entrevista ao portal de notícias UOL, ela contou que sua plataforma será a de defender o direito de imigrantes e refugiados, além de uma ampla agenda de direitos humanos, combate à extrema-direita e promoção da ecologia. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e do jornal O Globo.

Bolsonaro

No domingo (28), Maria vestia uma camisa com o rosto de Marielle Franco, vereadora carioca assassinada em 2018. A sergipana de Aracaju promete aproveitar a entrada no Parlamento para denunciar o governo de Jair Bolsonaro.

Meu primeiro recado a ele [Bolsonaro] é que Marielle vive”, disse. “Além disso, vou dar visibilidade às suas atrocidades”, disse ela, que promete ações em toda a Europa para “expor o caráter racista e homofóbico” do governo.

Ativistas

Maria Dantas conta que sempre se negou a entrar para a política, apesar de proliferar iniciativas entre ativistas. “O que me empurrou desta vez foi a força da extrema-direita que, pela primeira vez em 40 anos, volta ao Parlamento”, apontou, uma referência ao sucesso eleitoral do partido Vox.

Maria Dantas foi eleita pelo partido Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). Nascida em 1969, a nova deputada é advogada e chegou a Barcelona para realizar estudos de direito ambiental, filosofia jurídica, moral e política. Atualmente trabalha em uma empresa catalã na área de finanças.

Unidade Contra o Fascismo

Ao longo dos anos, fez parte de iniciativas como a Unidade Contra o Fascismo e o Racismo, Stop Mare Mortum e da Plataforma Brasileiras contra o Fascismo de Barcelona, entre outras organizações.

Ao saber que havia sido eleita, Maria não deixou de lembrar de sua origem humilde no Brasil e garantiu que vai trabalhar em questões sociais por já ter “sofrido na pele” as dificuldades de ser estrangeira.

Sou nordestina cabra da peste, daquela que pega a peixeira e coloca no meio dos dentes, discípula de Maria Bonita”, conta a sergipana.

Filha de um comerciante e de uma enfermeira, nascida em Aracaju, ela vendeu seu Fiat Uno branco e fez as malas rumo à Espanha, em 1994, para cursar uma especialização em Direito do Meio Ambiente. Naquele ano, era delegada adjunta da Polícia Civil de Sergipe.

Quando cheguei à Espanha era ‘a’ imigrante sem papéis. Passei uns 15 ou 16 anos de vários perrengues por aqui. Trabalhei como empregada doméstica, babá, passeando com cachorro, ajudando idosos, garçonete, professora de português. Saía das aulas do doutorado e ia limpar latrina.”

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