Últimas Notícias > Capa – Caderno 1 > Serviço de patinetes elétricas será regulamentado nesta segunda em Porto Alegre

Espião da CIA enviou segredos da Rússia para os Estados Unidos durante décadas

Presidentes Trump e Putin, durante reunião no G20 em 2017, em Hamburgo, na Alemanha. (Foto: Reprodução)

A CIA, central de inteligência dos Estados Unidos, cultivou por décadas um espião dentro do governo russo que acabou se tornando uma figura importante no Kremlin , informou nesta terça-feira a imprensa americana, acrescentando que o agente foi retirado da Rússia – ou extraído , segundo o jargão da espionagem – por razões de segurança e está em local desconhecido. O governo russo confirmou a existência do espião, mas minimizou seu papel, classificando a informação de que ele teria acesso ao presidente Vladimir Putin de ” ficção barata “.

O informante teria sido recrutado pelo governo americano há décadas , quando era apenas um funcionário de nível intermediário no Kremlin. Com os anos, entretanto, ele teria sido promovida a cargos importantes em Moscou e, apesar de não fazer parte do círculo próximo de Putin, encontrava-se regularmente com o presidente e tinha bastante acesso à tomada de decisões presidenciais.

Conforme o governo americano começou a perceber que a Rússia tentava interferir nas eleições presidenciais de 2016, o homem transformou-se em uma das fontes principais – e mais protegidas – da CIA. Mais tarde naquele mesmo ano, quando começaram a vir à tona mais informações sobre o suposto papel exercido por Moscou na campanha que acabou com a eleição de Donald Trump, a imprensa começou a descobrir detalhes sobre a identidade das fontes da CIA no Kremlin, pondo-as em risco.

A CIA teria tentado retirar o espião no final de 2016, mas ele teria recusado , alegando razões familiares – algo que gerou questionamentos em Washington sobre sua lealdade. Segundo a CNN, que divulgou a notícia em primeira mão na segunda-feira, o assunto teria voltado à tona após o presidente americano discutir informações altamente sigilosas com o chanceler Sergei Lavrov e o então embaixador russo nos EUA, Sergei Kislyak.

Apesar de a conversa ter sido sobre o Estado Islâmico, a reunião ressuscitou discussões sobre o risco de exposição dos informantes americanos. Na ocasião, o então diretor da CIA, Mike Pompeo, teria dito a outros funcionários da alta cúpula americana que muitas informações sobre a fonte no Kremlin estavam sendo divulgadas. Desta vez, o homem concordou em ser “extraído” de Moscou.

Informações sigilosas

Segundo a CNN, o espião teria sido retirado de Moscou, em parte, por preocupações de que sua identidade pudesse ser posta em risco pela recorrente falta de cuidado de Donald Trump e seu governo com informações sigilosas. O New York Times, contudo, disse não haver evidências de que o presidente teria posto o informante diretamente em risco e que o crescente escrutínio midiático sobre a CIA teria sido suficiente para sua retirada.

Ainda assim, ex-funcionários da Inteligência americana ouvidos pelo NYT afirmaram que as reuniões a portas fechadas de Trump com Putin e outros funcionários russos, junto com seus tuítes sobre assuntos delicados, são fonte de preocupação para infiltrados no exterior.

“Nós temos um presidente que, diferentemente de qualquer outro presidente na história moderna, está disposto a utilizar informações sigilosas e sensíveis do modo que achar adequado”, disse Steven L. Hall, ex-funcionário da CIA que dirigiu as operações referentes à Rússia.  “Ele o faz na frente de nossos adversários. Ele o faz em tuítes. Nós estamos em águas nunca antes navegadas.”

“Ficção barata”

Nesta terça-feira, o jornal diário russo Kommersant divulgou que o espião em questão seria, supostamente, um homem chamado Oleg Smolenkov, que desapareceu com sua mulher e três filhos enquanto passava férias em Montenegro e estaria agora morando no estado da Virgínia, nos EUA, onde fica a sede da CIA. O jornal publicou ainda uma foto da casa que teria sido comprada por Smolenkov e detalhes sobre o preço, endereço e documentos fiscais relacionados ao imóvel.

Moscou, por sua vez, classificou os relatos americanos de “ficção barata” e disse que Smolenkov trabalhou, de fato, na Presidência russa, mas que nunca ocupou um cargo sênior e teria sido demitido entre 2016 e 2017. Separadamente, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse nunca ter ouvido falar de Smolenkov.

“Toda essa especulação da mídia americana sobre quem foi extraído com urgência e quem foi salvo de quem e por aí vai, isso está mais no gênero ficção barata, leituras sobre crimes, então vamos deixar isso para eles”, disse Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.

Deixe seu comentário: