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Estamos próximos de um teste que comprove a cura do câncer?

Estudos mostram que exames já conseguem detectar as chances de cura do paciente e seu risco de reincidência. (Foto: Reprodução)

Como saber se uma pessoa está realmente curada de um câncer? Infelizmente ainda não existe nenhum teste que nos dê a certeza de que as células doentes foram eliminadas do corpo do paciente, seja qual for o tipo de tumor.

Mas um estudo conduzido no Reino Unido parece traçar um novo caminho. Os pesquisadores avaliaram a utilização de um exame de sangue para detectar doenças micrometastáticas em mulheres supostamente curadas de câncer de mama. A técnica detecta fragmentos do DNA do tumor, como se fosse uma digital bem discreta da presença do câncer. Os resultados preliminares da pesquisa foram publicados no JAMA Oncology.

O estudo

Este estudo acompanhou 101 mulheres com câncer de mama localizado, que foram tratadas com cirurgia e quimioterapia. Essas pacientes foram avaliadas antes do início do tratamento, acompanhadas a cada três meses no primeiro ano de seguimento e, depois, a cada seis meses.

Os médicos usaram um teste bastante detalhado, chamado PCR, que analisou o chamado “DNA tumoral circulante” para avaliar a presença residual do câncer. A proteína C-reativa é um marcador, cuja concentração sanguínea sobe consideravelmente quando há indicativo de processos inflamatórios ou infecciosos, um sinal que sugere a existência de células do tumor circulando no sangue, mesmo se a cirurgia tiver removido o tumor primário.

O que foi visto é que mulheres que tiveram, mesmo após o tratamento quimioterápico e cirúrgico, a presença de DNA tumoral circulante, apresentaram uma chance de recidiva 25 vezes maior do que pacientes sem este marcador. Do mesmo. modo se a presença do DNA circulante aumentou a chance de recidiva em 5.8 vezes, sugerindo que antes do diagnóstico já havia tumor micrometastático.

O que isso significa?

Os pesquisadores consideram que este pode ser um dos maiores avanços para o tratamento e acompanhamento de pacientes com câncer de mama num futuro próximo. Os autores afirmam que “a detecção do DNA circulante durante o acompanhamento está associada a um alto risco de recaída futura de câncer de mama em estágio inicial. Estudos prospectivos são necessários para avaliar o potencial da detecção de recaídas moleculares para orientar a terapia adjuvante”.

Os resultados desse estudo são animadores e importantes porque, num futuro próximo, pessoas que não tiverem mais vestígio de câncer após a cirurgia vão ser poupadas de tratamentos desnecessários, evitarão efeitos colaterais causados pelos tratamentos oncológicos, com um custo menor para o sistema.

Outro ponto importante é que, quando cuidamos de pacientes com doença micrometastática, temos a possibilidade de mudar o tratamento antes da metástase aparecer, propiciando um melhor prognóstico.

Outras descobertas

A mesma edição do JAMA Oncology trouxe outro estudo sobre câncer de intestino, utilizando o mesmo teste sanguíneo. Os resultados mostraram que quando estes fragmentos de DNA tumoral circulante estavam presentes, a chance de recidiva da doença foi de 70%.

Estes testes já mostraram resultados promissores também em casos de próstata, pulmão, bexiga, melanoma. Agora deverão ser aplicados em bases de escala maior para, em pouco anos, estarem disponíveis.

Creio que podemos estar diante de um dos maiores avanços da Oncologia, capaz de diminuir muito o número de visitas aos médicos, os transtornos comuns ao tratamento e a insegurança psicológica que, infelizmente, ainda atinge o paciente.