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Ministro da Justiça responde a perguntas sobre diálogos divulgados por site, nega conluio com o Ministério Público e diz que mensagens podem ter sido adulteradas

Sérgio Moro participou de uma audiência na CCJ do Senado. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Ao falar à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado sobre as conversas vazadas com o procurador Deltan Dallagnol, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse nesta quarta-feira (19) que não tem apego pelo cargo e que, se comprovadas irregularidades de sua parte frente à Operação Lava-Jato, pedirá demissão. Ele negou conluio com o Ministério Público.

O ex-juiz federal defendeu que o site The Intercept Brasil entregue às autoridades a íntegra do conteúdo que embasou as reportagens publicadas até agora. Moro reiterou, durante as quase nove horas de sessão, que os diálogos mostrados até agora são “completamente normais” e afirmou que não pode reconhecer a autenticidade do material revelado pelo site. Para o ministro, a divulgação dos diálogos é fruto do trabalho de um grupo de hackers criminosos.

Moro relembrou à comissão que teve o celular invadido no início deste mês, mas que, até o momento, não há evidências de acesso ao conteúdo do aparelho. O Intercept afirma que recebeu o material de uma fonte anônima antes desse episódio. O ministro disse suspeitar que as invasões a celulares de autoridades não foram feitas por amadores.

“Confesso que dessa vez fiquei surpreendido pelo nível de vilania e de baixeza dessas pessoas responsáveis pelo ataque, a ousadia criminosa de invadir ou de tentar invadir telefones de procuradores da República, inclusive o telefone do ministro da Justiça, e utilizar isso não para fins de interesse público, mas sim para minar esforços anticorrupção”, declarou o ministro.

Ele ressaltou que a investigação da Polícia Federal está em andamento, mas revelou suspeitar que as invasões de celulares de procuradores e juízes tenham sido obra de um grupo criminoso. “Não é um adolescente com espinhas na frente do computador, mas sim um grupo criminoso estruturado”, destacou Moro.

“A minha opinião, em particular, embora os fatos estejam sendo investigados, é de que existe um grupo criminoso por trás desses ataques. Afinal, há uma grande quantidade de pessoas que sofreram invasões ou tentativas de invasões, o que aponta para a possibilidade de não ser um hacker isolado”, disse.

O ex-juiz destacou que pode ter dito “algumas coisas” que foram divulgadas, mas que outras lhe causam “estranheza”. Ele observou que o conteúdo das mensagens pode ter sido adulterado. “Não tenho mais essas mensagens no meu aparelho celular. Utilizei o Telegram em determinado período. Em 2017, acabei achando que aquele aplicativo de origem russa não era um veículo lá muito seguro. E saí do Telegram desde então. Não tenho essas mensagens para poder afirmar se aquilo é autêntico ou não”, explicou.