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Milos Forman, diretor do filme “Um Estranho no Ninho”, morreu aos 86 anos

Milos Forman tinha 86 anos e mais de cinco décadas de carreira. (Foto: Reprodução)

O cineasta tcheco Milos Forman morreu dia 13, aos 86 anos, em Hartford, Estado de Connecticut (Nordeste dos Estados Unidos). Forman vivia nos Estados Unidos desde o fim dos anos 1960, tendo emigrado da então Tchecoslováquia depois da invasão do país pelas tropas do Pacto de Varsóvia, em agosto de 1968.

Junto ao polonês Roman Polanski, Forman foi o diretor do leste europeu que mais fez sucesso comercial e de crítica após mudar para os EUA, no fim dos anos 1960.

Numa carreira de 55 anos como cineasta, dirigiu filmes como “Um Estranho no Ninho” (1975), “Amadeus” (1984), “O Povo Contra Larry Flint” (1996) e “O Mundo de Andy” (1999). Pelos dois primeiros, ganhou o Oscar de melhor diretor.

Na Tchecoslováquia, inspirado pela liberdade criativa da “Nouvelle Vague” francesa, Forman havia dirigido filmes baratos e ousados como “Os Amores de Uma Loura” (1964) e “O Baile dos Bombeiros” (1967), que lidavam com temas como a burocracia estatal e traziam um humor negro que ironizava, sempre de forma velada, para escapar dos censores, a falta de liberdade no então país comunista.

Se existe um tema que percorre toda a carreira de Milos Forman, é o da luta contra as opressões. E o cineasta tinha motivos para se rebelar: os pais haviam morrido em campos de concentração nazistas, e a invasão das tropas do Pacto de Varsóvia o expulsara da Tchecoslováquia.

Quando Milos tinha pouco mais de 30 anos, descobriu que era fruto do romance extraconjugal de sua mãe com um arquiteto que havia sido preso em um campo de concentração nazista, mas conseguira escapar. Nos Estados Unidos, mesmo trabalhando para grandes estúdios hollywoodianos, Forman conseguiu fazer filmes desafiadores.

Seu primeiro grande sucesso, “Um Estranho no Ninho”, adaptado de um romance de Ken Kesey, figura importante dos movimentos beat e hippie, era, na superfície, uma comédia amarga sobre a vida numa instituição psiquiátrica. Mas o filme também pode ser visto como uma analogia poderosa aos EUA da época da Guerra do Vietnã e à descrença em governos e instituições.

Depois de dois filmes recebidos com frieza, “Hair” (1979) e “Ragtime” (1981), Forman acertou na mosca com “Amadeus” (1984), história do compositor Antonio Salieri e de sua inveja mortal do músico cujo gênio o atormentava: Wolfgang Amadeus Mozart. O longa ganhou oito prêmios Oscar, incluindo melhor filme, diretor e ator —F. Murray Abraham, no papel de Salieri.

Milos Forman tinha um talento especial para achar personagens cujas histórias simbolizavam temas relevantes.

Em “O Povo Contra Larry Flint”, pegou um personagem detestável, dono de um império de revistas pornográficas, e fez dele um símbolo da luta pela liberdade de expressão. O filme não transformava Flint em mártir, mas defendia que nem mesmo um homem inescrupuloso e vil como ele poderia ser censurado.

Em “O Mundo de Andy”, Milos Forman explorou outro personagem polêmico, o comediante Andy Kaufman, um gênio perturbado que reinventou a comédia ao destruir os limites entre a interpretação e a vida real.

Forman se identificou tanto com Andy que batizou um filho, nascido logo após a filmagem, com o nome do comediante. O outro menino, gêmeo, recebeu o nome de James, em homenagem ao ator Jim Carrey.

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