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O presidente francês e o premiê canadense disputam o título de líder mais “descolado”: Eles são jovens, usam gravata “slim” e praticam esportes

O canadense Justin Trudeau (E) e o francês Emmanuel Macron. (Foto: Stephane de Sakutin/AFP)

Eles são jovens, usam gravata “slim” e praticam esportes. Também apoiam a sustentabilidade, a participação das mulheres na política e a diversidade sexual. São contra muros, porque preferem a integração, e podem até ser ricos, mas tentam não ostentar.

Esse estereótipo de elite moderna vendida pela moda define a imagem dos atuais governantes francês e canadense, Emmanuel Macron, 39, e Justin Trudeau, 45, que disputam o posto de líder mais “cool” do mundo.

Trudeau, liberal de sorriso largo e hábitos esportivos, se esforça para ser garoto-propaganda de um Canadá feliz e progressista.

Além de adorar selfies com jovens e raramente franzir a testa, o que lhe confere ar bem-humorado, o foco de sua gestão de imagem é o tornozelo. Certo das limitações do guarda-roupa de um líder e da necessidade de se diferenciar para chamar a atenção, ele deixa curtas as barras das calças para mostrar uma vasta coleção de meias coloridas.

E não são meias quaisquer. No armário do premiê há acessórios listrados e estampados com imagens divertidas, como a da dupla de robôs R2D2 e C3PO, de “Star Wars”.

Duvidosos ou não, os gostos de Trudeau fizeram com que ganhasse da revista americana “GQ” o posto de político mais estiloso do mundo. Isso até a eleição francesa.

Seu par francófono, Emmanuel Macron, é mais discreto, mas nem por isso deixa de preencher o noticiário com passeios desinibidos e escapadas à praia ao lado da mulher, Brigitte, 64, de porte atlético e amante da moda.

Em um dos mergulhos, ela foi de maiô azul estampado, e ele, de shorts de bolinhas aplicadas sob fundo da mesma cor do traje dela. A unidade cromática é frequente nas aparições públicas do casal, detalhe que produz efeito de extensão e complementaridade.

A foto na praia, granulada como flagra mas com pinta de armação, virou capa da “Paris Match” meses antes do pleito que fez de Macron o presidente mais jovem da história da França.

Macron e Trudeau são, em medidas e contextos diferentes, herdeiros do espetáculo midiático promovido pela equipe do ex-presidente Barack Obama nos anos em que ocupou a Casa Branca.

A campanha maciça na internet, além das centenas de notícias sobre o estilo de vida “prafrentex” da família, emolduraram a imagem de Obama, ao mesmo tempo que embaçaram escândalos de sua gestão, como a espionagem de vários líderes.

O look boa-praça de Trudeau, no entanto, já dá sinais de desgaste com as dúvidas sobre a capacidade do seu governo em cumprir bandeiras de campanha, como a igualdade salarial entre gêneros e o compromisso de gerar mais empregos para os jovens.

O novo cenário político já mostra que ao título de líder “cool” está colada a sombra da pecha de galã acéfalo, essa mais difícil de apagar. (Pedro Diniz/Folhapress)

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