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Os fundos da Petrobras e do Banco do Brasil pediram uma assembleia para mudar o conselho de administração da dona das marcas Sadia e Perdigão

Abilio Diniz durante um evento que homenageia líderes. (Foto: Beto Barata / PR)

Os fundos de pensão Petros, da Petrobras, e Previ, do Banco do Brasil, enviaram neste sábado (24), uma carta à BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, pedindo a realização de uma assembleia-geral extraordinária.

Insatisfeitos com os resultados da companhia de alimentos, que registrou prejuízo bilionário em 2017, os fundos decidiram se unir para forçar mudanças no conselho de administração da empresa, que é comandado desde 2013 pelo empresário Abilio Diniz.

A carta não cita especificamente Abilio, segundo relato de uma das fontes. A intenção dos fundos, porém, é destituir todo o colegiado, colocando em votação uma nova chapa, o que incluiria a saída do empresário. O atual conselho foi eleito em abril do ano passado e tem mandato até agosto de 2019.

Procurados, Petros, Previ, BRF e o empresário Abilio Diniz não fizeram comentários sobre o caso.

Prazo para deliberação

Com o envio da carta, o conselho de administração tem oito dias para deliberar sobre a convocação da assembleia. Caso não o façam, os fundos têm direito de convocá-la mesmo assim, já que possuem mais de 5% do capital da empresa, conforme prevê a Lei das Sociedades por Ações, conhecida como a lei das S.As.

Para levar adiante o pleito de mudanças no conselho, porém, os fundos precisarão de apoio de outros acionistas, de forma a formar maioria. A BRF não tem controle definido e seu capital é pulverizado na Bolsa. Previ e Petros são os principais acionistas, com cerca de 11% cada um. O fundo Tarpon vem em seguida, com 7,2%, e o fundo americano Aberdeen, com 5%. Abilio também é acionista por meio da Península, mas tem apenas 4% da companhia.

Contexto. O plano vem sendo arquitetado por Previ e Petros há tempos. Desde meados do ano passado, os fundos passaram a questionar de forma mais veemente os rumos da BRF. Pressionaram pela demissão de José Roberto Pernomian Rodrigues, então vice-presidente de integridade corporativa da BRF, que teve prisão decretada em julho de 2017.

Também se movimentaram para a saída de Pedro Faria, sócio da Tarpon, do comando da empresa. A BRF vinha de um prejuízo inédito em 2016, de R$ 377 milhões e seguia amargando maus resultados e perda de fatia de mercado no País.

Petros e Previ, contudo, foram contra a eleição de José Aurélio Drummond Jr para substituir Faria. O conselho – do qual Drummond faz parte – dividiu-se na eleição, com os fundos e os representantes da família fundadora da Sadia votando contra sua confirmação.

Abilio, no entanto, deu o voto de minerva, aprovando a condução de Drummond ao cargo.

A permanência do executivo no colegiado e a divulgação na quinta-feira (22), do prejuízo de R$ 1,1 bilhão registrado em 2017 acirrou de vez os ânimos e os fundos decidiram agir.