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Um robô foi demitido nos EUA por trabalhar rápido demais

A demissão ocorreu porque os funcionários não conseguiam acompanhar o ritmo do robô. (Foto: Reprodução)

Um “chef robô” conhecido como Flippy foi “demitido” de uma rede de fast food em Pasadena, na Califórnia, nos Estados Unidos, depois de apenas algumas horas de trabalho, porque atuava “muito rápido”.

Flippy conseguia preparar até 2 mil hambúrgueres por dia, mas o restante dos funcionários não era capaz de manter o ritmo e confeccionar o mesmo número de lanches.

“Quando você está na cozinha e trabalha com outras pessoas, o costume é falar para coordenar as atividades. Com o Flippy, isso não é possível, você tem de seguir seu ritmo”, afirma Anthony Lomelino Cali, proprietário do restaurante. O robô, ao menos por enquanto, foi colocado de lado.

Algumas semanas atrás, outro robô, Fabio, foi demitido de um mercado no Reino Unido, mas pelo motivo inverso: ele tinha de atender clientes, mas não conseguia agir com a mesma velocidade de seus “colegas” humanos.

No entanto, os casos de Flippy e Fabio refletem sobre como o trabalho está mudando. De acordo com um relatório da consultoria McKinsey, 375 milhões de pessoas terão de procurar novos empregos até 2030 porque serão substituídas pela tecnologia.

Seremos substituídos?

O certo é que a interação entre humanos e robôs vai se tornar tão natural quanto a interação entre humanos. O que traz para o debate aspectos positivos e negativos, acertos e erros, lado bom e ruim. Se a robotização poderá fazer com que as tarefas do dia a dia sejam mais produtivas, mais intuitivas e muito mais fáceis para a pessoa que usa um robô, podem também causar isolamento, individualização, falta de interação, de contato, do toque e, talvez, perda do afeto nas relações humanas.

Pesquisa realizada pelo IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos), maior organização profissional dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, analisa o impacto da inteligência artificial (IA) na geração Alpha, aqueles nascidos entre 2010 e 2025, com resultados surpreendentes. Foram entrevistados cerca de 600 pais e mães, com idades entre 20 e 36 anos, com pelo menos uma criança de até 7 anos, no ano passado.

Entre tantos e ricos dados, chegou-se a conclusões como: a maioria dos pais de crianças dessa geração considera que um tutor de IA aumenta as expectativas de aprendizado mais rápido de seus filhos, além de preferir que o ser de IA os auxiliem na velhice. E em relação aos cuidados infantis, passando por assistência médica à adoção de animais de estimação (animais domésticos serem substituídos pelos animais de estimação de IA), os pais desse milênio veem todas as fases da vida de seus filhos envolvidas por tecnologia de inteligência artificial.

A geração em questão é considerada como a mais impactada pela tecnologia e a IA deve passar a fazer parte de todos os aspectos de suas vidas. Pela pesquisa do IEEE, os pais da geração Alpha ficam um pouco mais preocupados com a perspectiva de seus filhos dirigirem sozinhos (3%) do que a bordo de carros autônomos (25%). Entretanto, 45% dos pais ficam igualmente preocupados com ambos os cenários. Cerca de dois terços dos pais do milênio (63%) preferem ter tecnologias de IA ajudando-os a viver de forma independente na velhice, enquanto apenas 37% optam por confiar em seus próprios filhos, descobriu o estudo.

A IA está estimulando o surgimento de robôs de estimação que podem identificar, cumprimentar, obedecer e divertir a família. De acordo com a pesquisa, 48% dos entrevistados declaram que possivelmente trocariam um animal de estimação por um robô caso fosse esse o desejo dos filhos. As mães são mais receosas, 42% das mulheres contra 55% dos homens. Como a IA está dando vida a robôs que andam e falam, aproximando-os do comportamento humano, 40% dos pais da geração Alpha disseram que provavelmente substituiriam uma babá humana por um robô-babá, ou ao menos usariam o robô para ajudar nos cuidados com as crianças.

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