Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de agosto de 2021
O ex-deputado do Paraguai Carlos Rubens Sanches Garcete, conhecido como ‘Chicaro’, foi executado dentro de casa na manhã do último sábado (7), em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha à sul-mato-grossense Ponta Porã. Segundo informações da polícia paraguaia ao jornal ABC Color, 10 homens invadiram a casa da vítima, que fica próxima à fronteira com o Brasil, e atiraram. Vizinhos disseram aos policiais terem ouvido cerca de 500 tiros.
Carlos Rubens estaria escondido na casa, com seguranças. Ele já havia sido vítima de atentado, em 2019, em Capitán Bado, cidade que fica ao lado de Coronel Sapucaia. Dois veículos que teriam sido usados pelos atiradores foram encontrados queimados, abandonados no Paraguai, logo depois. Uma caminhonete que teria sido roubada pelos suspeitos também foi abandonada por eles.
Crise política
O Paraguai vive um momento delicado na política. Para entender o que está acontecendo no país vizinho, é preciso diferenciar duas frentes de conflito do governo, que avançam em paralelo. A crise sanitária que o presidente Mario Abdo Benítez insiste em negar — hospitais com UTIs lotadas, escassez de medicamentos para pacientes internados com covid-19, além da baixa taxa de vacinação da população — é profundamente delicada.
E o drama da pandemia minimizado pelo presidente acabou se tornando a desculpa perfeita para que seus opositores, dentro e fora do Partido Colorado, voltem à carga com um pedido de impeachment. Com esse quadro, os paraguaios ignoraram o isolamento social e foram às ruas pedir a renúncia do presidente Mario Abdo Benítez há poucos meses. Os protestos contrários começaram depois de um aumento expressivo no número de casos da covid-19 no país, com a chegada da segunda onda da doença.
Má gestão
O Paraguai possui 7 milhões de habitantes e sua maioria é basicamente formada por jovens, são cerca de 27% de seus habitantes, além disso 38% da população ainda vive na zona rural, por isso a covid-19 não teve um grande impacto na primeira onda do vírus.
O professor Rafael Villa, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (Nupri-USP) e de Ciências Políticas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo, explica que a recente crise que o país está vivendo está relacionada com a má gestão da pandemia, já que Benítez é negacionista.
Mesmo assim, o professor da USP “não acredita em um pedido de impeachment, visto que ele possui maioria no Congresso, por isso a chance de ele cumprir seu mandato até o final (2023) é grande”, conclui.
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