Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de agosto de 2021
O governo húngaro ordenou as lojas a vender livros infantis considerados “promotores da homossexualidade” em embalagem selada, intensificando as restrições com base em uma lei considerada discriminatória, aprovada em junho, e que colocou o primeiro-ministro Viktor Orbán em rota de colisão com grupos de direitos humanos e a União Europeia. O decreto também engloba livros vistos como promotores da mudança de gênero e que contenham “explícitas” representações de sexualidade, proibindo que as vendas ocorram a menos de 200 metros de uma escola ou igreja.
Orbán, nacionalista de direita e no poder desde 2010, tem se tornado cada vez mais radical na política adotada contra os direitos das pessoas LGBTQIAP+. Há quinze dias, a Comissão Europeia considerou que a lei vai contra as normas de proteção aos direitos humanos e civis do bloco e deu dois meses para o governo húngaro revogá-la, antes de abrir uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia.
O premier, que vai enfrentar uma eleição no ano que vem, afirma que temas como os direitos LGBTQIAP+ devem ser decididos pelos governos nacionais e alega que a lei não tem como alvo os homossexuais diretamente, mas a proteção das crianças húngaras. Nesta sexta, em entrevista à Fox News, disse estar “pronto para responder” no caso de intervenção da “esquerda internacional” para tirá-lo do poder nas próximas eleições.
“Obviamente, a esquerda internacional fará todo o possível para provocar uma mudança de governo aqui na Hungria”, disse o líder ultranacionalista de 58 anos ao ser questionado se temia uma intervenção estrangeira. — Estamos cientes disso, estamos prontos para a luta, prontos para responder.
Orbán também pretende convocar um referendo sobre a controvertida lei, que conterá cinco perguntas, incluindo se “as crianças pequenas devem ser expostas a um conteúdo ilimitado que influencia sua sexualidade” e se “as crianças pequenas devem ser expostas a conteúdos de mídia que mostram mudanças de gênero”.
A legislação se soma a outras anteriores que proibiram a adoção de crianças por casais homossexuais e impediram que pessoas que passaram por mudança de sexo adotem uma nova identidade civil.
Uma pesquisa da Ipsos, realizada no mês passado, mostrou que 46% dos húngaros apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Há duas semanas, milhares de pessoas se uniram à parada LGBTQIAP+ para protestar contra a lei.
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