Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 7 de setembro de 2023
Sócio e administrador da 123 milhas, Ramiro Madureira afirmou na quarta-feira (6) que o grupo precisou demitir cerca de 1,1 mil a 1,2 mil trabalhadores por causa da crise financeira decorrente do cancelamento das passagens “promo” compradas por clientes para viajar entre setembro e dezembro deste ano. A 123 milhas, MaxMilhas e HotMilhas, todas do mesmo grupo, operam hoje com 800 funcionários após o corte, disse ele.
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados sobre pirâmides financeiras com criptoativos, Madureira disse que a empresa já enfrentava outras dificuldades antes dos problemas com as passagens “promo”.
“Antes do promo, tivemos algumas outras perdas de receitas não esperadas na 123milhas”, disse. Entre esses problemas estavam a atuação das companhias aéreas para dificultar a emissão de milhas, antecipação de recebíveis que antes era 0,3% ao mês passou para 1,5% e “a malha aérea muito apertada” que não deu margem para negociação com milhas.
Segundo ele, a empresa teve que suspender a emissão de passagens aéreas da linha promocional, iniciada em abril de 2022, porque os preços das passagens não se comportaram conforme o previsto. Ele afirmou também que o produto dependia de um fluxo de novas compras no site, que teria sido menor que o esperado.
“Acreditávamos que o custo do ‘promo’ diminuiria com o tempo, à medida que ganhávamos eficiência na tecnologia de sua operação e que o mercado de aviação fosse se recuperando dos efeitos da pandemia. Uma tendência que projetamos à época e que se revelou precisamente o oposto”, declarou. “Ao contrário do que prevíamos, o mercado tem se comportado permanentemente como se estivesse em alta temporada. E isso abalou os fundamentos não só do ‘promo’ quanto de toda a 123milhas.”
Os advogados do empresário fizeram questão de esclarecer que a dependência de novas receitas não estaria ligada à linha promocional, mas aos demais produtos vendidos. A audiência ouviu 10 pessoas em seis blocos durante quase 16 horas.
Ramiro Madureira disse que confia na continuidade da empresa, que agora está em recuperação judicial. Segundo ele, é preciso que a 123milhas continue funcionando para que os 150 mil consumidores que viajariam agora em 2023 sejam ressarcidos dentro do plano de recuperação, que será discutido com os credores. Ele afirmou que quem comprou passagens para 2024 também estará incluído no plano, mas que ainda não sabe quantos são.
Compensação aos clientes
Na semana que vem, segundo o empresário, será feita uma reunião com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom) do Ministério da Justiça para negociar um acordo para a compensação dos clientes.
Ele informou que deverão ser organizadas prioridades para clientes que precisam viajar por problemas de saúde, por exemplo. Ramiro Madureira disse ainda que devem ser feitas mais demissões nas empresas do grupo.
A empresa suspendeu a venda de passagens e pacotes da linha promocional em 18 de agosto e disse que compensaria os clientes com vouchers. Com a reação negativa de consumidores e autoridades públicas – além de movimentos de antecipação de créditos por parte de bancos e outros financiadores – a empresa, segundo Ramiro, resolveu pedir a recuperação judicial para manter o negócio. As informações são do jornal Valor Econômico e da Agência Câmara de Notícias.
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