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Brasil 18 anos é a idade mais perigosa para as mulheres

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Os assassinatos de mulheres alcançaram o maior patamar da série histórica, com 1.459 casos em 2024. (Foto: Reprodução)

Dezoito anos de idade, negra e morta dentro de casa. A frase descreve um perfil comum das mulheres vítimas de violência no Brasil, segundo dados de um estudo publicado nessa segunda-feira pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. De autoria do sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfisz, radicado no Brasil, o “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil” analisou dados oficiais nacionais, estaduais e municipais sobre óbitos femininos no País entre 1980 e 2013.

Em 2013, último ano levado em conta pela pesquisa, o maior índice de mortes registrado foi entre mulheres de 18 anos: 3,6% dos 4.762 dos óbitos (168 mulheres). É a incidência mais alta de assassinatos dentro do que foi traçado pelo estudo como a faixa etária mais perigosa para as mulheres – que vai dos 18 aos 30 anos e responde por 39% do total das mortes.

Enquanto quase metade dos assassinatos masculinos ocorre na rua (48,2%) e apenas 10% no domicílio, entre as mulheres a proporção é assustadoramente mais equilibrada: 31,2% e 27,1%, respectivamente. “Isso revela a alta domesticidade dos homicídios de mulheres. Elas são muitos mais agredidas no lar”, afirma Waiselfisz.

Impunidade

Para o sociólogo argentino, porém, há um culpado claro: a impunidade. “Pesquisas especializadas mostram que o índice de elucidação dos crimes de homicídios é baixíssimo no Brasil, variando entre 5 e 8%. Apenas nos EUA, ele é de 65%. Se a impunidade prevalece amplamente nos homicídios em geral, ela deve ser normal também nos casos de homicídios de mulheres. Existe uma certa normalidade da violência contra a mulher no Brasil.” (BBC)

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