Domingo, 19 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de julho de 2026
Um novo estudo publicado na Revista Bioética mostra que 9 a cada 10 médicos jovens no Brasil afirmam não estarem preparados para dar más notícias aos pacientes. Quatro em cada 10 relatam nem mesmo terem recebido treinamento para esse tipo de comunicação durante a graduação.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 2.418 médicos candidatos a programas de residência na instituição. Os participantes tinham, em média, 27 anos e preencheram um questionário uma hora antes da prova.
Do total, 48,7% eram formados em Medicina em universidades públicas, e 51,3% em privadas. 37,5% já haviam realizado outro programa de residência, ou seja, tinham mais experiência com a prática médica.
Ao todo, somente 61,2% relataram ter recebido aulas sobre comunicação de más notícias durante a graduação, e 61,8% afirmaram ter participado de treinamentos específicos sobre o tema ao longo desse período.
“A má notícia nunca vai virar uma boa notícia, mas existem formas de acolher e de ajudar esse paciente, de forma compassiva, a enfrentar aquele problema e aquela condição que ele vai vivenciar”, diz Daniel Alveno, fisioterapeuta, docente universitário e um dos autores da pesquisa, que atua com cuidados paliativos na Unifesp há cerca de 15 anos, à Agência Bori.
De forma mais expressiva, 92% dos médicos consideraram não ter concluído a formação com capacidade comunicativa satisfatória para dar más notícias. Para, 83,9% esse processo deveria envolver outros profissionais além dos médicos, como psicólogos e enfermeiros. Ainda assim, somente 3,6% nunca realizaram a comunicação de más notícias na vida profissional.
“Os achados deste estudo reforçam a existência de lacunas na formação médica quanto à comunicação de más notícias, evidenciadas pela ausência de treinamento específico na graduação e pela percepção generalizada de que os profissionais não concluem sua formação devidamente preparados para essa prática. (…) Diante desses achados, destaca-se a necessidade de reformulação dos currículos médicos de modo que incluam treinamento estruturado em comunicação de más notícias, com abordagem tanto de aspectos técnicos quanto emocionais”, defendem os autores no artigo.
O estudo também revelou uma contradição ética importante: quase 99% dos participantes declararam que, se fossem pacientes, gostariam que a notícia fosse dada diretamente a eles, sozinhos ou com um familiar, e mais de 90% gostariam que essa comunicação fosse feita de forma completa. Ainda assim, mais de 30% admitiram que compactuariam com a chamada “conspiração do silêncio” (omitir informações a pedido da família).
“Não adianta ter conhecimento se não souber fazer esse conhecimento chegar ao paciente. Isso também precisa ser ensinado. Não é um dom, algo inato. Estudar tecnicamente comunicação é parte da formação como profissional de saúde”, acrescenta Alveno. (Com informações do jornal O Globo)
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9 não sabem nada!