Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de agosto de 2020
O governo da Arábia Saudita afirmou nesta quarta-feira (19) que o país não vai seguir o acordo diplomático entre Emirados Árabes Unidos e Israel enquanto os israelenses não assinarem um acordo de paz com os palestinos. É essa a condição para que o país estabeleça relações diplomáticas com Israel. “É preciso haver paz entre Israel e os palestinos a partir de bases internacionais reconhecidas”, afirmou o ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, o príncipe Saud al Faisal, defendendo a criação de um estado palestino em uma conferência de imprensa em Berlim, na Alemanha.
“Quando isso acontecer, tudo será possível”. Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo para a normalização das relações diplomáticas entre os Emirados Árabes Unidos e Israel.
Os israelenses não tinham relações diplomáticas com os países árabes do Golfo e os recentes anúncios de anexação de parte da Cisjordânia eram encarados como um impeditivo para a normalização, apesar da ameaça comum que é o aumento da influência regional do Irã.
O acordo foi o terceiro de paz árabe-israelense desde a declaração de independência de Israel em 1948. O Egito assinou um em 1979 e a Jordânia em 1994.
Peso estratégico
O acordo diplomático entre Israel e Emirados Árabes Unidos (EAU) é um desdobramento histórico, que tem peso estratégico na política do Oriente Médio e pode significar uma abertura do Estado Judeu para outros países árabes. Essa é a leitura de cenário feita pelo professor da Universidade de Tel Aviv, Brandon Friedman.
Em entrevista ao Estadão, o diretor de pesquisa do Centro Moshe Dayan para Estudos sobre Oriente Médio e África afirmou que a aproximação dividiu os países integrantes da Liga Árabe, fazendo prevalecer interesses individuais dos dois países – o que, no caso dos EAU, é o firmamento de uma posição estratégica mais confortável para se opor ao avanço da influência do Irã e da Turquia na região.
“Eles [Emirados Árabes] estão procurando fortalecer seus laços com os EUA, melhorar a cooperação estratégica com Israel e impedir a anexação israelense da Cisjordânia. Os Emirados também estão em desacordo com a Turquia sobre a questão da Líbia e continuam preocupados com os programas nuclear e de mísseis iranianos. Laços mais fortes com os Estados Unidos e Israel o ajudam a enfrentar os dois desafios”, explica Friedman.
Apesar de ser apenas o terceiro acordo diplomático árabe-israelense desde a declaração de independência de Israel em 1948 – o Egito assinou um em 1979 e a Jordânia em 1994 – o professor explica que a resolução não põe fim a outras questões importantes, como a relação com os palestinos e as crises política, econômica e de saúde que motivam protestos contra a classe política. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e de agências de notícias.
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