Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de setembro de 2020
Dois anos após ter sido preso pela morte da bancária Lilian Calixto, após uma intervenção estética realizada em seu próprio apartamento, na Barra da Tijuca (RJ), num caso que teve repercussão nacional, Denis César Barros Furtado, o Doutor Bumbum, quis voltar aos holofotes ao tentar ingressar na política carioca. Com dois CRMs cassados pelo Conselho Federal de Medicina, o ex-médico dizia-se pré-candidato a vereador pelo Patriota, mas acabou rejeitado pela sigla.
Filiado desde 3 de abril de 2020, Denis teve a inscrição no partido aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral no dia 5 de abril. Nos últimos quatro meses, divulgou a pré-candidatura pelas redes sociais, inclusive com a logo do Patriota. Em um vídeo, ele elogia a presidente do partido no Rio, Eliane Cunha, e agradece “por ela ter aberto tantas portas para ele ter a oportunidade de chegar nas pessoas”.
No entanto, em uma convenção do diretório municipal, realizada no dia 3 de agosto, foi decidido que ele não seria candidato pelo Patriota. Ao jornal O Globo, Eliane afirmou que Denis não será um dos candidatos e nem poderá se candidatar por outro município, porque seu domicílio eleitoral é na capital. Por já ter passado o prazo para troca de filiação em ano de eleição, que foi no dia 4 de abril, o ex-médico não poderá tentar a vaga por outra sigla.
Procurado, Denis Furtado negou ter visado a ser pré-candidato a vereador.
“Pensando bem, parece que minha campanha de conscientização nas redes sociais funcionou, mas não desejo, nem nunca desejei ser candidato a nada, só digo que cabe ao carioca escolher melhor seus representantes e seus partidos, caso contrário nem poderão ter o direito de reclamar”, afirmou ele em comunicado.
Sobre a pré-candidatura de Denis César Barros Furtado, o diretório municipal do Patriota esclareceu que o ex-médico não é pré-candidato a vereador nas eleições no Rio de Janeiro, pelo partido. O Patriota informou ainda que realizou sua convenção no dia 3 de agosto, quando definiu seus candidatos ao pleito de 2020 e Denis não consta da nominata.
Em nota, Furtado negou que tenha feito campanha política, apesar das publicações feitas por ele próprio em suas redes sociais.
“Jamais fui candidato oficial a nenhum cargo público, nunca almejei ingressar na política ou na vida pública, sequer solicitei a algum partido um número ou vaga como candidato para concorrer a uma eleição, eu na verdade, jamais me associaria a alguns candidatos atuais que são apoiados pelo partido patriota, como o Governador Witzel ou o Prefeito Crivela, sempre deixei bem claro que luto por uma saúde pública, exatamente o oposto que parece que nossos atuais governantes têm se preocupado, por esse motivo, acredito não ser uma boa opção para esse partido, já que teríamos propostas bem diferentes”, declarou.
Réu em morte após plástico
Denis Furtado ganhou notoriedade em julho de 2018, quando foi preso pela morte da bancária Lilian Calixto, paciente dele em um procedimento estético de bioplastia nos glúteos. Bioplastia de glúteo consiste na aplicação da substância PMMA para conseguir maior volume em determinada parte do corpo. Lilian procurou Denis, pois ele se intitulava Doutor Bumbum e, no universo das redes sociais, era um especialista em postar fotos de “antes e depois” das suas pacientes. Denis ficou seis meses preso.
Por decisão da Sétima Câmara Criminal do Rio, a prisão foi substituída por medidas cautelares, como a proibição de se ausentar da comarca do Rio e do País sem autorização judicial. O médico, então, teve os dois registros profissionais cassados, um CRM do Distrito Federal e outro de Goiás. No dia 24 de abril de 2019, o Conselho Federal de Medicina (CFM) manteve a cassação, com unanimidade de votos.
Em liberdade, ele ganha a vida dando cursos de capacitação para médicos e profissionais de saúde em uma sala no Shopping Downtown, na Barra, mesmo local onde funcionava seu consultório (a aplicação do PMMA em Lilian aconteceu no apartamento do médico, uma cobertura, também na Barra).
O CFM confirmou ele não pode mais exercer a medicina e não é alcançado pelas normas dos conselhos de medicina. Ainda informou que, quaisquer atividades anunciadas por ele, “que impliquem em atos exclusivos da prática médica, conforme previsto em lei, podem ser consideradas como exercício ilegal da medicina”.
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