Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de novembro de 2020
O Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP/RS) informou na tarde dessa sexta-feira (20), que laudo inicial apontou como causa da morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi asfixia.
A vítima foi espancada por dois seguranças no Carrefour Passo D’Areia, na Zona Norte de Porto Alegre, na noite de quinta-feira (19).
“O corpo foi submetido a necropsia pela manhã e, após extensiva análise, foi liberado para a família. Análises iniciais apontam para asfixia como causa mortis mais provável. A conclusão não é definitiva, pois existem exames laboratoriais em andamento”, diz nota do IGP, publicada no Twitter.
O Instituto acrescenta ainda que “os laudos devem ser concluídos nos próximos dias”.
De acordo com a Brigada Militar gaúcha, o espancamento começou depois de um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do mercado, localizado na zona norte da capital gaúcha. Segundo a polícia, a vítima teria ameaçado bater na funcionária, que chamou a segurança. Há, no entanto, outra versão de testemunhas que alegam que a vítima foi perseguida no estabelecimento.
Os dois suspeitos, um de 24 anos e outro de 30 anos, foram presos em flagrante. A investigação trata o assassinato como homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e asfixia.
Nessa sexta, o Carrefour emitiu nota oficial sobre o ocorrido. Leia abaixo na íntegra:
“O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário.
O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.”
Manifestações
O caso provocou uma série de protestos pelo País nessa sexta, Dia da Consciência Negra. Em alguns casos, atos que começaram pacíficos terminaram com invasão de lojas e depredações, além de empurra-empurra, saques e confronto com a polícia.
No Rio, segundo o portal de notícias G1, uma unidade da rede de supermercados na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, fechou após manifestantes protestarem pela morte de João Alberto Silveira Freitas.
A manifestação no Rio foi pacífica e exigiu o encerramento das atividades do supermercado. A gerência concordou e fechou o estabelecimento após uma conversa com os manifestantes.
O grupo que foi até o local exibiu faixas como “Parem de nos matar!” e “Sem Justiça, Sem Paz”, usadas em protestos do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), nos Estados Unidos.
Já em São Paulo, também após um início pacífico, manifestantes começaram a atirar objetos e a destruir vidraças da fachada de uma das lojas da rede localizada na Rua Pamplona, uma das áreas mais nobres da cidade. Em seguida, invadiram o local, quebraram produtos e chegaram a atear fogo no interior do supermercado.
Também houve protesto em Porto Alegre, em frente à loja em que João Alberto foi morto. Após cerca de duas horas de ato pacífico, um grupo de jovens conseguiu derrubar o portão de entrada do estabelecimento. Eles tiveram acesso ao primeiro andar da loja.
A polícia só conteve a manifestação ao lançar bombas de gás lacrimogêneo nos ativistas.
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