Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de novembro de 2020
A fabricante de bebidas Ambev publicou em sua conta oficial no LinkedIn uma nota na qual cobra do Carrefour “medidas imediatas e efetivas” que impeçam novos episódios de discriminação como o que levou ao assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, ocorrido na noite de quinta-feira (19), em uma unidade do Carrefour de Porto Alegre.
“Na Ambev não toleramos qualquer ato de racismo ou violência. Estamos em luto pelo assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas. Para todos nós, nossos funcionários e a comunidade negra, a tristeza, frustração e medo gerados por atos recorrentes de violência como este são profundos e pessoais”, diz a nota da Ambev.
João Alberto Silveira Freitas foi espancado e morto por dois homens brancos que integravam a equipe de segurança da unidade do Carrefour Passo D’areia, na capital gaúcha. Os suspeitos, um de 24 anos e outro de 30 anos, foram presos em flagrante, sendo que um deles foi levado a um presídio militar por integrar a Brigada Militar do Rio Grande do Sul. A Polícia Civil trata o caso como homicídio qualificado.
Iniciativa pela Igualdade Racial
A rede Carrefour foi desligada por tempo indeterminado da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, projeto que reúne 73 organizações signatárias, como Coca-Cola e Microsoft, após o assassinato de João Alberto.
Em nota divulgada em seu portal, a Iniciativa expressou “profunda repulsa” pelo crime cometido contra o homem negro de 40 anos, “repudiando com todas as forças” o ocorrido.
“É criminoso um ambiente empresarial em que um cidadão entre para fazer uma compra e saia morto. E é conivente todos aqueles que se omitiram e não tomaram as medidas para que essa morte fosse evitada. Inclusive os que se calam”, disse a nota da Iniciativa.
Na véspera, o presidente do Grupo Carrefour, o francês Alexandre Bompard, se manifestou sobre o assassinato de Freitas. Por meio de suas redes sociais, o executivo disse que vai pedir a revisão de treinamento de funcionários e terceiros “no que diz respeito à segurança, respeito à diversidade e dos valores de respeito e repúdio à intolerância.
Abilio Diniz, acionista e conselheiro do Carrefour, também usou as redes sociais para repercutir o assassinato na loja gaúcha da rede. Diniz disse que pediu a empresa que “não meça esforços e trabalhe incansavelmente para que fatos trágicos como este jamais se repitam no Brasil”.
A plataforma da qual a varejista foi desligada tem como objetivo a superação do racismo no ambiente corporativo e atualmente é um movimento formado por empresas e instituições comprometidas com a promoção da inclusão racial e a superação do racismo, representando um universo de mais de R$ 1,3 trilhão em faturamento, com mais de 800 mil pessoas.
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