Sexta-feira, 28 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 21 de setembro de 2015
O papa Francisco desembarcou sábado em Cuba para sua primeira visita ao país. A viagem ocorre poucas semanas após a retomada dos laços diplomáticos entre Havana e Washington (EUA), em processo impulsionado pelo pontífice. Além de Havana, Francisco irá a Holguín e a Santiago de Cuba. O giro se encerra na terça-feira, quando ele parte para os Estados Unidos.
A BBC Brasil listou cinco dos principais pontos da visita do primeiro papa latino-americano à ilha caribenha: reaproximação com os Estados Unidos, presos cubanos, aberturas econômica e política e sincretismo. Os governos de Cuba e dos Estados Unidos disseram que Francisco foi crucial na reaproximação que levou à retomada das relações diplomáticas entre os dois países. O jornalista britânico Austen Ivereigh disse à BBC Brasil que o pontífice deu o pontapé inicial no processo há pouco mais de um ano, quando enviou cartas a Raúl Castro e Barack Obama.
Presos políticos
Um dos pontos mais sensíveis na relação entre a Igreja Católica e Cuba é a questão dos presidiários cubanos. Representantes da igreja e de organizações de direitos humanos criticam Cuba pelas condições de suas prisões e o tamanho de sua população carcerária. Na semana passada, o governo acenou ao pontífice ao indultar 3.522 pessoas encarceradas por delitos leves.
Economia e política
Cuba tem tentado atrair investimentos externos, mas empresários estrangeiros cobram reformas que diminuam a burocracia e a participação do Estado nos empreendimentos. Segundo o bispo auxiliar da capital cubana, Juan de Dios Hernandez, Francisco tem crédito de sobra com o governo cubano para abordar mesmo os temas mais delicados. Um deles poderá ser a sucessão do presidente Raúl Castro, no poder desde 2008 e que assumiu após quase cinco décadas de governo do seu irmão Fidel Castro.
Religião
“Embora sejam muito religiosos, os cubanos não são propriamente católicos”, diz o teólogo brasileiro Frei Betto. Ele afirma que grande parte da população cubana se identifica com o papa e a Igreja Católica, mas pratica uma fé com muitas influências africanas.