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Mundo Cientistas já descobriram 4 mil mutações do coronavírus: a vacina resolverá?

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Nova variação do vírus se espalha mais facilmente, segundo especialistas. (Foto: Virtual Science)

Uma mutação do vírus causador da covid-19 detectada no Reino Unido levou países como Holanda, Irlanda, França, Itália, Alemanha e Bélgica a imporem medidas para barrar o fluxo de britânicos. O motivo: o vírus mutante aparentemente se alastra mais rápido e poderia ser mais contagioso, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Não há evidências de que a nova cepa provoque formas mais graves da doença, mas o fato de se disseminar mais rapidamente me faz crer que podemos estar diante não de uma nova onda, mas de um tsunami de futuros casos em todo o mundo. Ao se espalharem mais facilmente, mais pessoas serão contaminadas em um menor espaço de tempo, e o colapso de sistemas de saúde parece inevitável. É um alerta importante, mas não razão para desespero (ainda).

O COG-UK, consórcio criado no Reino Unido para fornecer o sequenciamento do genoma do vírus para as autoridades britânica, fez os cálculos: já houve cerca de 4.000 mutações do novo coronavírus desde que o mundo descobriu o causador da pandemia que nos assola, a maior parte delas sem consequências significativas para a população. Só esta cepa que levou países europeus a barrarem britânicos tem 20 mutações, algumas das quais diretamente relacionadas à forma como ela se conecta às células humanas.

Se existiram tantas variantes, por que esta, em especial, colocou as nações em novo alerta? As vacinas que tanto almejamos podem se tornar uma solução ultrapassada e fadadas ao fracasso?

A resposta vem da cientista Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Vaccine Institute: “Essas mutações estão sendo investigadas e ainda não sabemos se essas mudanças irão afetar as vacinas. Provavelmente não, mas quanto mais o tempo passa, mais chances estamos dando ao vírus para mutar. Temos pressa”.

Agora os cientistas vão cultivar o vírus mutante em laboratório para ver como ele reage, se produz a mesma respostas de anticorpos e como é afetado pelas vacinas em desenvolvimento. A semana do Natal começou especialmente tensa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “todos os vírus, incluindo o da covid-19, mudam com o tempo”.

Os vírus são as estruturas mais simples conhecidas no nosso planeta: são basicamente material genético envolvido por uma cápsula proteica. Essa simplicidade faz com que ele seja altamente mutável.

Em recente entrevista à CNN, Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirma que essas variações são normais e acontecem no momento em que os vírus se reproduzem.

“Toda vez que os vírus se copiam, eles podem errar uma parte e criar uma microvariante. É como se eles cortassem o cabelo, fizessem a barba, passassem batom. É diferente num detalhe específico”, disse.

Até novembro, ao menos oito linhagens da covid-19 estavam em circulação no Brasil, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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