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Mundo O otimismo pela descoberta rápida de um imunizante contra o coronavírus pelos cientistas dá lugar à disputa feroz entre as nações para conseguir um número cada vez maior de doses em um prazo mais curto

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Projeto permite que empresas imunizem seus funcionários enquanto governo permanece com campanha para toda a população. (Foto: Reprodução)

No começo da pandemia do novo coronavírus, quando milhares de cientistas do mundo se juntaram para encontrar uma vacina contra a doença, havia um otimismo de que a cooperação internacional para uma ampla imunização mundial contra a covid-19 ajudaria a derrotar o vírus rapidamente. O otimismo sobreviveu apenas enquanto duraram os estoques das vacinas.

Em vez de cooperar entre si para lançar uma campanha global de vacinação para livrar o mundo da covid-19, as principais potências do mundo travam uma competição feroz e cada vez mais nacionalista. A UE, onde a vacinação caminha a passos mais lentos que no Reino Unido, ameaçou impor limites à exportação de vacinas produzidas em parceria entre a e a Universidade de Oxford. Parlamentares britânicos, por sua vez, acusam os europeus de suborno, desencadeando uma crise que pode complicar mais a entrega de doses para países pobres.

Nos EUA, o governo Joe Biden negocia a compra de mais 100 milhões de doses da Pfizer e 100 milhões da Moderna, pedido que se soma aos 400 milhões de doses combinadas que as empresas já se comprometeram a fornecer aos EUA. O acordo reduzirá a capacidade de outros países comprarem os imunizantes das duas farmacêuticas.

Especialistas alertam para o risco que a guerra pelas vacinas terá no cronograma de vacinação mundial. “Se esse protecionismo perdurar, o primeiro efeito será a mutilação da cadeia produtiva de vacinas, o que vai diminuir a capacidade de produção de muitas empresas”, disse ao Estadão David Fidler, pesquisador de saúde global do Council on Foreign Relations e ex-consultor jurídico da OMS.

A Câmara de Comércio Internacional (ICC), organização que representa mais de 45 milhões de empresas em todo o mundo, disse em uma carta a Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, que a medida para limitar as exportações poderia “corroer rapidamente as cadeias de abastecimento essenciais”.

John Denton, secretário-geral da ICC, escreveu que “se Bruxelas proibir as exportações de vacinas da UE e impedir que as empresas cumpram seus contratos, corre o risco de retaliação de outros parceiros comerciais, o que interromperia as cadeias de abastecimento e faria pouco para expandir a produção geral de vacinas. Ou seja, atrasaria ainda mais o processo”.

A demora para a entrega ocorre por causa do atraso na produção nas fábricas belgas da Pfizer-BioNTech e da Oxford-AstraZeneca. O Reino Unido vacinou mais de 11% de sua população até agora. Países da UE como Itália, Polônia, Finlândia e Alemanha vacinaram apenas entre 2% e 3%. Muitas nações europeias esperavam que as doses da AstraZeneca acelerassem o ritmo da vacinação, já que são mais baratas e mais fáceis de armazenar que as da Pfizer.

Na semana passada, no entanto, a empresa avisou que entregaria apenas 31 milhões das 80 milhões de doses que a UE esperava até março. Isso, juntamente com atrasos na produção de doses de Pfizer, que precisou reduzir o ritmo para aumentar a capacidade de suas fábricas, levou a UE a anunciar que as vacinas feitas em seu território precisariam enfrentar burocracias extras para serem exportadas.

Os britânicos podem ser prejudicados, pois os imunizantes que compraram da Pfizer vêm de fábricas na Bélgica.

O problema da AstraZeneca não é incomum. Vacinas são produtos biológicos complexos em que o processo de produção nem sempre rende a mesma quantidade de imunizante utilizável. Também existem verificações de qualidade rigorosas para garantir que todos os lotes são seguros. Se a qualidade não for correta, menos vacina estará disponível.

A empresa alega que como o Reino Unido assinou o contrato três meses antes da UE, teve mais tempo para solucionar problemas que apareceram no processo. A demora da Comissão Europeia em aprovar o uso emergencial da vacina também atrapalhou.

Uma maneira de contornar esse problema é aumentar a capacidade trabalhando com concorrentes. Por exemplo, a empresa farmacêutica francesa Sanofi anunciou que vai produzir mais de 100 milhões de doses da vacina Pfizer- BioNtech. Outra forma de aumentar a produção é usar cadeias de abastecimento regionais para fabricar e distribuir vacinas, cada uma servindo apenas em partes específicas do mundo.

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