Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 12 de março de 2021
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro definitivo da vacina Oxford/AstraZeneca, produzida pela Fiocruz, e ainda o uso do remdesivir, um medicamento antiviral para pacientes internados em estado grave.
O pedido foi feito à Anvisa em agosto de 2020. O remdesivir é o primeiro medicamento a obter registro no Brasil com indicação na bula “para tratamento da covid”. Pode ser usado por pessoas acima de 12 anos e pesando pelo menos 40 kg. Só em pacientes internados com pneumonia e em suporte de oxigênio, mas não com ventilação mecânica. O medicamento é injetável e não será vendido em farmácias.
O remdesivir já está sendo usado em 50 países, como Estados Unidos, Canadá, Suíça e Austrália. A FDA, agência americana, uma das mais respeitadas do mundo, aprovou o uso do medicamento em outubro.
O tratamento de cinco dias é estimado em R$ 17 mil.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhou o uso do medicamento, mas, segundo a Anvisa, a OMS avaliou a prevenção de mortes, enquanto a agência brasileira analisou se houve redução no tempo de hospitalização.
O estudo usado pela Anvisa apontou que os pacientes que receberam o antiviral tiveram melhora clínica em 10 dias, com redução da carga viral, enquanto que os que não receberam tiveram melhora em 15 dias.
A pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo disse que o medicamento é para situações muito especiais e que a prioridade tem que ser a vacina: “Tem que ser vacinar maciçamente a população. A aprovação do remdesivir não é algo que traga para nós, digamos assim, um alívio grande ou uma grande conquista em termos terapêuticos para a covid-19, infelizmente”.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, considerou a aprovação um passo importante: “Porque a gente passa a ter a possibilidade de ter a droga sendo comercializada no Brasil. Hoje quem quiser usar, só através de importação. Isso certamente vai fazer com que o custo e o acesso à droga sejam mais facilitados”.
A Anvisa também aprovou o registro definitivo da vacina Oxford/AstraZeneca em parceria com a Fiocruz. O segundo no País, depois do concedido à Pfizer. O registro é para as doses que estão sendo produzidas na Fiocruz, com matéria-prima vinda da China. A Anvisa afirmou que segue acompanhando os dados sobre uso de longo prazo, a eficácia em pessoas mais velhas e o intervalo entre doses.
“A conclusão, então, é que os benefícios superam os riscos, os dados dão suporte para o registro do produto — a gente não vislumbra um risco no momento à saúde da população, relacionada à utilização dessa vacina — e, por isso, nossa recomendação é, sim, seguir para o registro”, afirmou o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes.
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